Em entrevista ao Jornal 730 Segunda Edição nesta quinta-feira (28), o professor Luiz Signates disse que pode ter havido “confusão” e “desconhecimento” no caso da apreensão de pesquisadores e eleitores em Anápolis por suposta compra de votos. De acordo com ele, a técnica da pesquisa qualitativa, ao contrário da quantitativa, é pouco divulgada pelos meios de comunicação.

 

 

“Esse tipo de pesquisa não é aquele tipo que aparece nos jornais. Não é registrada nos tribunais eleitorais porque tem uma metodologia específica e os resultados são usados nas estratégias das campanhas”, explicou. Ainda segundo o professor, no caso do procedimento de Grupo Focal, o eleitor ou consumidor é convidado a comparecer num local específico e por isso é oferecida uma compensação para “cobrir despesas de transporte” ou remunerar “de alguma forma o uso do tempo da pessoa”.

“Pelo fato de haver essa ajuda de custo, dentro da campanha eleitoral, pode haver uma confusão disso com uma eventual compra de votos”, completou. Signates é diretor-presidente de uma empresa da área: a Signates Consultoria, Pesquisa e Editoração Ltda.

Ligado ao mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) e ao curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), o professor esclareceu ainda que, no caso de uma pesquisa qualitativa, não se pede a mudança de voto de ninguém. “Muito embora se possa, na hora do que se chama de filtro, indagar qual a preferência do entrevistado para encaixá-lo no grupo certo”, ponderou.

Em relação ao caso da prisão de pesquisadores e eleitores em Anápolis na quarta-feira (27), Signates deixou a conclusão para a Polícia Federal: “O que de fato aconteceu é o caso de a PF investigar e verificar”. Para ele, a ética desse tipo de procedimento está na experiência e na formação do pesquisador “e uso no correto dos procedimentos e das técnicas cientificamente determinados”.