O Ministério Público de Goiás ofereceu denúncia contra onze pessoas suspeitas de aumento abusivo no preço do Etanol. O processo foi encaminhado ao Poder Judiciário pelo promotor Murilo de Moraes e Miranda, da área de defesa do consumidor, e teve como base inquéritos realizados pela Delegacia do Consumidor e o PROCON de Goiânia.
As conclusões foram obtidas principalmente por escutas telefônicas e informações do preço de venda dos combustíveis em usinas e distribuidoras por meio de notas fiscais.
“Ficou comprovado que, tanto usinas quanto distribuidoras, Sindicato e donos de postos, em diferentes momentos ganharam muito dinheiro manipulando o mercado. O consumidor foi quem pagou por isso e havia estoque de álcool suficiente para se passar por toda a entressafra”, argumenta o promotor.
Os denunciados
Três pessoas denunciadas pelo MP são dirigentes de Usinas de álcool. Rubens Ometto Silveira Mello, presidente da Usina COSAN Centro-Oeste, de Jataí; Marcelo Ribeiro de Mendonça, diretor da Usina Energética de Morrinhos e Édson Antônio Rizzardo Júnior, diretor da Usina Florestas, de Santo Antônio da Barra.
Dois dirigentes de distribuidoras de etanol também foram denunciados: Leocádio de Almeida Antunes, administrador da distribuidora Ipiranga, e Guilherme José de Vasconcelos Cerqueira, administrador da empresa SHELL Brasil.
Dois são empresários, donos de postos de gasolina: João Ferreira da Silva Sobrinho e Wagner Donizeti Vilela. Além destas pessoas, quatro membros de sindicatos também foram denunciadas: José Divino Gualberto de Oliveira, que é consultor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de
Combustíveis e Lubrificantes no Estado de Goiás – SINDICOM; e três membros do SINDIPOSTO: o presidente, Leandro Lisboa Novato, o vice-presidente, Márcio Martins de Castro Andrade, e o funcionário Marcos Antônio Ribeiro.
SINDIPOSTO contesta
Leandro Lisboa, presidente do SINDIPOSTO, negou envolvimento em qualquer tipo de irregularidade, em entrevista à RÁDIO 730. “O inquérito, até agora, não tem prova alguma e o nosso advogado já vai entrar para provar que, por parte do Sindicato não houve crime nenhum. A majoração do preço não aconteceu só em Goiás, mas no Brasil todo. Quiseram pegar isso para dar uma satisfação para a opinião pública”, argumentou.
“Não há nenhuma conversa que comprove uma combinação de preço. É um processo mal conduzido. Agora vamos mostrar no Judiciário que o SINDIPOSTO não orquestrou nem combinou preço para majorar nas bombas”, complementou.
Todos os denunciados vão responder na Justiça pelos crimes de formação de quadrilha e crime contra a ordem econômica. Se condenados, podem pegar até oito anos de prisão.
Com informações do repórter Rubens Salomão
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