Um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo divulgado nesta sexta-feira (2/7) mostra que pelo menos 26 mil doses vencidas da vacina AstraZeneca foram aplicadas em diversos postos de saúde do país. Segundo a reportagem, os dados constam nos registros oficiais do Ministério da Saúde. Em Goiás, 38 municípios aparecem na lista.

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Até o dia 19 de junho, os imunizantes com o prazo de validade expirado haviam sido utilizados em 1.532 municípios brasileiros. A campeã no uso de vacinas vencidas é Maringá. A cidade paranaense vacinou 3.536 pessoas com o produto da AstraZeneca fora da validade (primeira dose em todos os casos).

Já em Goiás, a campeã na aplicação de doses do lote 4120Z005 (com vencimento para 14 de abril) é Goiânia, que aparece na 57º posição no ranking nacional. Segundo o jornal, foram aplicadas 60 doses desse lote na Capital.

O QUE FAZER?

AstraZeneca é a vacina mais usada no Brasil. Ela responde por 57% das doses aplicadas neste ano. A imensa maioria foi utilizada de acordo com as orientações do fabricante. Todos os imunizantes expirados integram oito lotes da AstraZeneca importados ou adquiridos por consórcio. Um deles passou da validade no dia 29 de março. O que venceu há menos tempo estava válido até 4 de junho.

O lote pode ser conferido na carteira individual de vacinação. Quem tiver recebido uma dose de um desses oito lotes de AstraZeneca após a data de validade (veja gráfico) deve procurar uma unidade de saúde para orientações e acompanhamento.

Além disso, de acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19, quem tomou imunizante vencido precisa se revacinar pelo menos 28 dias depois de ter recebido a dose administrada equivocadamente. Na prática, é como se a pessoa não tivesse se vacinado.

CONFIRA OS LOTES:

MUNICÍPIOS GOIANOS QUE APLICARAM OS LOTES VENCIDOS:

  • Goiânia 60
  • Vicentinópolis 32
  • Alexânia 25
  • Porteirão 25
  • Novo Brasil 9
  • Águas Lindas de Goiás 8
  • Itapuranga 5
  • Anápolis 5
  • Santo Antônio do Descoberto 5
  • Mineiros 4
  • Caldas Novas 4
  • Aparecida de Goiânia 4
  • Planaltina 2
  • Bom Jesus de Goiás 2
  • Paraúna 2
  • Goiatuba 2
  • Uruana 2
  • Inhumas 2
  • Itumbiara 2
  • Nazário 2
  • Padre Bernardo 2
  • Formosa 2
  • Bela Vista de Goiás 1
  • Vianópolis 1
  • Britânia 1
  • Morrinhos 1
  • Cristalina 1
  • Montes Claros de Goiás 1
  • Morro Agudo de Goiás 1
  • Nova Veneza 1
  • Sanclerlândia 1
  • Palmeiras de Goiás 1
  • Santa Rita do Araguaia 1
  • Goianira 1
  • Alvorada do Norte 1
  • Goiás 1
  • Rialma 1
  • Mozarlândia 1

O Sagres Online procurou a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, que disse por meio de nota que não houve aplicação de doses vencidas da vacina AztraZeneca na população. “As vacinas chegam do Ministério da Saúde com prazo de validade de aproximadamente dois meses e não ficam guardadas. A secretaria tem aplicado as doses que recebe em três, quatro dias, e depois chega a ficar sem vacinas no estoque”, disse a nota.

Ainda segundo a pasta, como Goiânia faz vacinação em locais como drive thru, onde não é possível lançar imediatamente as doses no sistema Conect SUS, os dados são anotados manualmente e depois lançados do sistema. “Em alguns casos houve erro neste lançamento posterior, em vez de colocar da data de aplicação, colocaram a data do dia do lançamento. A secretaria garante, portanto, que, em Goiânia, não houve aplicação de doses vencidas em moradores do município”, finalizou a nota.

A Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia disse também por meio de nota que não aplicou nenhuma vacina fora do prazo de validade. “O lote citado pela reportagem chegou na cidade no dia 24 de janeiro e foi aplicado no mês de fevereiro. A Secretaria informa que houve um erro no registro da aplicação dessas doses, mas que já regularizou a situação no sistema”.

A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás disse que não houve aplicação de nenhuma vacina contra a Covid-19 vencida em Goiás. “Essas doses chegaram ao Estado no início da campanha e foram utilizadas na totalidade em tempo oportuno, ou seja, antes do vencimento”, afirmou a pasta em nota. A SES justificou ainda que monitora a ocorrência de registros equivocados no sistema de informação oficial. Segundo o órgão, todas as situações foram analisadas uma por uma e não houve confirmação do uso de vacinas fora do prazo de validade.

“O que se identificou foram falhas, no momento do lançamento do lote dos imunizantes e da data da vacinação, no sistema de informação oficial. Em muitas situações, os municípios não realizam o registro dos dados em tempo oportuno e isso gera equívocos futuros no registro das informações”, afirmou a pasta na nota.

*Com informações da Folha de São Paulo