Um cenário bastante otimista, alicerçado por números que denotam expressivo crescimento da economia goiana deu a tônica, na manhã desta terça-feira (03), da coletiva concedida pelo secretário de Gestão e Planejamento, Giuseppe Vecci, e pela superintendente de Estatísticas, Pesquisa e Informações Socioeconômicas da Segplan, Lillian Prado. Em iniciativa inédita nas administrações goianas, a Segplan passa a divulgar, a partir de agora, o cálculo trimestral do Produto Interno Bruto (PIB) goiano. Com isso, Goiás iguala sua metodologia de cálculo do PIB à do governo Federal e a de estados como São Paulo, Espírito Santo, Pernambuco, Ceará e Minas Gerais.

“São dados importantíssimos, capazes de orientar com rapidez a implementação de políticas públicas e de planejamento, voltadas tanto para o setor público quanto para o setor privado”, afirmou o titular da Segplan, Giuseppe Vecci. A nova metodologia de cálculo do PIB goiano considera tudo o que foi produzido no Estado, nos setores econômicos da agropecuária, indústria e serviços, e acaba com a defasagem temporal de dois anos, quando são apresentados os dados consolidados do Produto Interno Bruto dos períodos anteriores.

“Os dados são preliminares porque estão sujeitos à variação do PIB regional consolidado, que só pode ser apresentado após o fechamento do período, ou seja, no cálculo que é feito anualmente, em parceria com o IBGE. Existe, porém, uma defasagem temporal de dois anos nos dados apresentados por esta metodologia tradicional. Já esta nova metodologia de cálculo, trimestral, reflete uma estrutura conjuntural momentânea, à curto prazo, e representa uma ferramenta importante para acompanharmos, em tempo real, o desempenho da economia goiana”, explica a superintendente Lillian Prado.
Último trimestre

Os cálculos, tabulados desde o ano de 2003, demonstram que a média do PIB goiano sempre tem crescido acima da média nacional, com destaque para os setores da agropecuária e da indústria. Segundo o cálculo da Segplan, no quarto trimestre de 2011, o indicador estimado do PIB Trimestral de Goiás cresceu 2,5%, em comparação ao mesmo trimestre de 2010. No período, a indústria registrou o melhor desempenho (4,9%), vindo em seguida a agropecuária (4,1%) e serviços (2,0%). O resultado da indústria no último trimestre do ano passado foi influenciado favoravelmente pela indústria de transformação (8,3%), devido em grande parte aos produtos químicos, puxados pelo aumento da produção de medicamentos. Outro destaque ficou com a construção civil (2,6%).

Na agropecuária, o avanço de 4,1% no quarto trimestre de 2011 se deve principalmente ao aumento verificado nos cultivos das lavouras temporárias (soja, cana de açúcar, milho e feijão), que registrou 11,7%. Já a pecuária apresentou acréscimo de 4,4%, enquanto as lavouras permanentes (banana, café e laranja) recuaram 10,6%. O setor de serviços cresceu 2,0%, com destaques para as atividades de serviços prestados às empresas (2,0%), alojamento e alimentação (3,8%) e transportes (2,5%).

Ano da Agropecuária

Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás cresceu 4,1%, na comparação com 2010, aponta o cálculo preliminar da Segplan. Em valores correntes, o fluxo de produção gerado pela indústria, agricultura e serviços, adicionado dos impostos, totalizaram um PIB estimado para o Estado de R$ 103,5 bilhões no ano passado. No mesmo período, o PIB do Brasil apresentou taxa de crescimento de 2,7%.

Contribuíram para o aumento do PIB em 2011 a expansão do valor adicionado em 4,1%, e dos impostos, em 4,5%. O fato dos impostos terem crescido acima das atividades econômicas pode ser atribuído ao crescimento da arrecadação referente a combustíveis, comunicação e energia elétrica; e ainda, devido ao Programa de Recuperação de Créditos da Fazenda Pública Estadual (Recuperar), adotado pelo Governo do Estado, que contribuiu para o aumento da arrecadação de ICMS.

Conforme a Segplan, o destaque de 2011 foi a agropecuária, que fechou o ano com crescimento de 6,3%, por causa da recuperação dos preços agrícolas. O melhor desempenho ocorreu nas lavouras temporárias (7,8%), principalmente na produção de soja, milho, cana de açúcar e feijão. Embora laranja e o café tenham registrado diminuição na produção no período, houve aumento na produtividade de 2% e 1,4%, respectivamente.

Na indústria, o crescimento apurado no ano passado foi de 3,7%, impulsionado, sobretudo, pela expansão da construção civil (5,3%), indústria de transformação (4,2%) e serviços industriais de utilidade pública (1,2%). Já os serviços tiveram aumento de 3,7% em 2011, com todas as atividades registrando variações positivas, com destaque para transporte (6,9%), alojamento e alimentação (6%) e serviços prestados às empresas (3,9%) e comércio (3,9%).
Ano da indústria

Em 2010, o PIB de Goiás registrou taxa de crescimento de 10,7% (dado preliminar), contra 7,5% no PIB nacional. A atividade econômica do Estado que se destacou no período foi a indústria (15,8%), influenciada pelo segmento farmacêutico. Serviços registraram elevação de 8,9%, e a agropecuária, índice de 6%. Contribuíram para o aumento do PIB goiano daquele ano a expansão do valor adicionado em 10,4%, e dos impostos, em 12,9%. Em 2010, o PIB do Estado foi de R$ 94,29 bilhões em valor estimado.

No entanto, o “crescimento chinês de mais de 10% em 2010”, conforme ilustra Lillian Prado, é considerado atípico, em virtude de se tratar de um ano de recuperação de crise, com fluxo intenso de investimentos do governo Federal em determinadas áreas. “Com a volta à normalidade, o País deve crescer segundo projeções de 4% a 4,5% ao ano. Para Goiás, espera-se um pouco mais, com base nas estimativas anteriores”, descreve o relatório consolidado da Segplan.

Projeção

De acordo com o secretário Giuseppe Vecci, a projeção de crescimento para Goiás em 2012, bem como nos próximos anos, é alta, tendo em vista que os produtos que alicerçam a economia goiana são gêneros de primeira necessidade, voltados mais para o mercado interno. “Pelas características de nossa economia, os produtos e serviços goianos estão menos sujeitos à intempéries do cenário internacional, o que faz com que – ao longo deste período – nós consigamos ter uma média de crescimento ascendente e acima da média brasileira”, analisa Vecci.

O secretário, no entanto, revela preocupação com a intenção do governo Federal em uniformizar as taxas de ICMS dos estados, o que pode representar para Goiás forte desestímulo em sua expansão industrial, tendo em vista que grande parte deste crescimento ainda é alicerçado em isenções e benefícios fiscais. “Nosso modelo de crescimento industrial ainda depende muito de benefícios e incentivos fiscais. E, como há uma vontade do governo em uniformizar essas taxas de ICMS, nós podemos nos ver amanhã – caso não tomemos providências – numa situação de difícil crescimento industrial”, revela o secretário.

Ele acrescenta ainda que “o governador Marconi Perillo já nos encomendou um estudo de políticas setoriais e regionais de crescimento econômico, já procurando se antecipar a esta realidade e determinar quais vantagens comparativas nós podemos ter em cada setor da nossa economia. E, ao definir essas vantagens, implementar políticas de incentivo e desenvolvimento desses setores, com a necessária infraestrutura”, complementou Giuseppe Vecci.