No próximo domingo (2) os brasileiros poderão eleger o presidente da República para o quadriênio 2023-2026. E um dos principais pontos da política interna e externa do país é a economia. Para o economista da Siegen Consultoria, Fábio Astrauskas, a única mudança na perspectiva econômica do país em relação a eleição de Lula (PT) ou a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) será com os gastos administrativos.

Assista a entrevista na íntegra:

“Um eventual governo do Lula teria um privilégio maior da atividade administrativa do servidor público. E teria talvez um aumento de gasto da parte do setor público com relação a crescimento com gastos de salários etc. Já o governo Bolsonaro, numa possível reeleição, o que vai acontecer é a continuidade dessa política de retenção, de contração dos gastos”, disse.

Segundo Fábio Astrauskas, a economia de todos os países é baseada no tripé política cambial, política monetária e política fiscal. O especialista explicou cada uma delas dentro do setor econômico brasileiro.

“A política cambial é relativa a como a gente posiciona o real frente ao dólar e às demais moedas. Tem a ver com o nosso comércio, com a nossa capacidade de vender e exportar produtos. O ponto dois do tripé é a política monetária, que é aquela que a gente enxerga como juros, que atualmente está perto dos 14%. E o terceiro ponto do tripé é a política fiscal, aquela que o governo através do seu poder executivo e algumas vezes legislativo, utiliza da arrecadação dos tributos e dos gastos que o governo faz”, explicou.

Juros

Na avaliação do especialista em economia a eleição deste ano não apresentou muitas mudanças se comparada a de 2018. Astrauskas analisou que houve um debate mais aprofundado “entre duas ideologias bastante diferentes”. De acordo com o economista, a situação gerou uma volatilidade do dólar frente ao real e na bolsa de valores. Mas afirmou que o resultado externo para o país só será conhecido em 2023.

“Passado o período eleitoral e tomara que ele ocorra na normalidade democrática, seja qual o vencedor, a gente deve ter uma normalização disso. E as perspectivas para este ano parecem ser de um dólar que neste momento está acima do que deveria, ele deveria estar abaixo dos US$ 5,40 que está batendo hoje. E a bolsa cresceu um pouquinho para este ano. Então, as novidades serão para o ano que vem dependendo daquele que for eleito”, contou.

O economista explicou que independente de quem assumir a presidência não deve haver mudanças nas políticas cambial e monetária. Desta forma, o Brasil continuaria com uma política de juros altos por alguns meses de 2023 para tentar combater a inflação. Astrauskas disse ainda que a mudança na economia brasileira será fiscal. “A mudança ocorrerá na política fiscal, na maneira como o governo arrecada e como o governo gasta”, afirmou.

O especialista destacou que é preciso haver uma Reforma Tributária e que todos sabem que ela deve acontecer, mas que existe uma dificuldade, inclusive por conta de legislações estaduais. “Não há nenhuma vontade de ser feita até hoje politicamente. Todo governo tenta, seja de esquerda ou de direita e tem dificuldade. E a mesma dificuldade teremos no ano que vem para isso [Reforma Tributária].

Auxílio Brasil

Principal programa de transferência de renda para as famílias, o valor do Auxílio Brasil virou uma interrogação para todos os candidatos à Presidência da República. Até dezembro de 2022 será pago no valor de R$ 600. Mas a partir de janeiro ainda é uma incógnita porque depende de decisão legal sobre o teto de gastos. O economista afirmou que independente do valor o benefício não deve ser extinto.

“Ele continua existindo como sempre existiu. Ele era chamado de Bolsa Família quando feito pelo governo do PT e passou a se chamar Auxílio Brasil agora no governo do Bolsonaro. Seja Bolsonaro ou seja Lula continuará tendo que existir um programa de transferência de renda, seja ele com o nome de Auxilio Brasil, de Bolsa Família, de Bolsa Brasil, de Auxílio Família, o que for que seja”, disse.

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