A estrutura é pequena, mas a vontade é diretamente proporcional à estatura da maioria dos jogadores. É com este espírito que a equipe do União Rioverdense Basquetebol (URB) inicia o ano de 2010.
Formado por atletas de 16 a 32 anos de idade que precisam conciliar os treinamentos, jogos e viagens com a rotina de trabalho ou estudos, o time vai apenas para a sua segunda temporada, mas com planos de não fazer figuração nos campeonatos.
É o que garante o ala Shenayder Silva, 32, um dos primeiros a ingressar no URB. “Antigamente, todo mundo treinava separado e jogava por outras cidades, mas em 2009 nos reunimos e montamos o time. As principais metas para 2010 são o Campeonato Goiano, que vale vaga para a Copa Centro-Oeste, e desta vez conquistarmos o título dos Jogos Abertos”, cita o educador físico, fazendo referência à campanha do ano passado, quando a equipe rio-verdense foi campeã das fases microrregional e regional dos JAGs, mas teve uma derrota na fase final, disputada em Goiânia, e acabou não conseguindo passar da classificatória. As outras conquistas foram caseiras, com os troféus da Copa Mão na Bola, promovida pela Secretaria Municipal de Desporto e Lazer, nas categorias Master e Adulto – sendo que nesta última o time B terminou na quarta colocação.
Segundo Shenayder, o grande trunfo do URB para este ano é a chegada de um ala e um armador que estão vindo de Brasília e que contam com experiência de já terem jogado profissionalmente. “Infelizmente, não podemos viver de basquete ainda e cada um tem sua atividade. Estamos com um grupo bem heterogêneo, mesclando três juvenis com atletas mais experientes, a maioria com 20 a 30 anos. Com certeza, a chegada destes dois novos jogadores vai ajudar muito a fortalecer a equipe”, prevê o ala, que faz questão de agradecer aos poucos parceiros e patrocinadores com os quais o time conta atualmente: “Estão conosco o Blue Tree Hotels, a GVD Sports e o i9 Hidrotônico, além da Perdigão, que cede o espaço do seu clube para os treinamentos, e da Prefeitura de Rio Verde, que forneceu o transporte para as nossas viagens no ano passado e se comprometeu a continuar apoiando o time.”
Também profissional de educação física, o pivô André Barbosa Ramos, 31, era um dos mais animados na primeira etapa da avaliação que foi feita na última semana. “Hoje (terça-feira, dia 19) e sexta-feira, estamos fazendo uma bateria de testes para ver a condição física de cada um. Este trabalho é importante para a definição de onde podemos começar os treinamentos e, desta forma, evitarmos lesões futuras”, explicou. Bem-humorado, André brincou que o fato de haver três educadores físicos e dois fisioterapeutas dentre os jogadores do URB é uma garantia de que só fica fora de forma quem quiser.
Outro dos líderes da equipe é o ala Max Miliano Costa Silva, 29. Ele conta que parte dos atletas teve o primeiro contato com o URB por meio da internet. “Criamos a comunidade ‘União Rioverdense de Basquete’ no Orkut, que hoje conta com aproximadamente 50 membros. Alguns dos nossos jogadores fizeram o primeiro contato por ali, depois vieram treinar e foram aprovados. O grupo deste ano já está praticamente fechado, com 15 a 18 atletas, incluindo um ou dois que ainda devem vir de outras cidades para nos reforçar, mas em 2011 abriremos novas vagas”, adianta o educador físico.
Ainda segundo Max Miliano, a edição deste ano do Campeonato Goiano será disputado inicialmente em grupos regionais, para facilitar a inscrição de mais equipes. “A previsão é de que estas fases regionais comecem por volta do mês de abril. Os campeões delas garantem vaga para a fase final, que deve ser em Goiânia. Também estamos tentando viabilizar a nossa participação na Copa Flávios, outra competição que vai acontecer na Capital”, informa, acrescentando que o URB também vai competir na categoria feminina: “Ano passado, nosso time feminino jogou pouco e, mesmo assim, conseguiu vencer a Copa Mão na Bola, na categoria Adulto. Estamos montando a equipe com jogadoras de Rio Verde mesmo e vamos contar com a chegada da Dani, que é esposa do André e já jogou até Campeonato Sul-americano pela UCG. A ideia é a mesma do time masculino, contando com três juvenis no grupo.”
Técnico
A responsabilidade por orientar a equipe é do professor de educação física Fernando Macedo Carvalho, 32, que jogou basquete por 10 anos e atualmente só pratica o esporte em momentos de recreação. Assim como os jogadores, o treinador está entrando no projeto voluntariamente. “Estou chegando agora, para ajudar no que for possível. No ano passado, quem fazia a função de técnico também jogava e, mesmo assim, o time conseguiu bons resultados. Isto prova que o potencial do grupo é bom e que ainda podemos evoluir bastante”, opina.
Fernando explica que o momento está sendo de busca por novas parcerias. “Todo mundo aqui tem outra atividade e está no time porque ama o basquete. Lógico que se tivéssemos patrocínios maiores e pudéssemos pagar o pessoal, a dedicação seria ainda maior e os resultados viriam como consequência natural. Mas independente disso, vamos trabalhar como uma equipe profissional, orientando a alimentação e a preparação física dos jogadores”, afirma. Segundo ele, já foram contatados profissionais de nutrição e academias que poderiam colaborar com o URB neste aspecto.
Apaixonado pela modalidade, o técnico avalia que é extremamente importante o surgimento de uma equipe forte na cidade para que os rio-verdenses voltem a atenção para o basquete. “Não podemos deixar que o nosso esporte acabe aqui. Com um time de Rio Verde se saindo bem nos campeonatos, a tendência é que a garotada comece a brincar de basquete nos clubes, escolas ou mesmo nas praças e ruas e é assim que surgem os novos talentos”, comenta.







