A cidade vive tempos de quadrilha e o fato é saudável. Felizmente, as quadrilhas estouraram os limites de junho e pipocam as festas julinas. Tem lugar com quadrilha o ano inteiro. Infelizmente, não são as únicas quadrilhas. Tem uma quadrilha imensa na Praça Cívica. Imensa mesmo. É uma quadrilha tão consolidada que nem os riscos nas manifestações foram suficientes para desmarcá-la. Tem uma quadrilha também muito grande na Assembleia. Essa foi cancelada, dando motivo para as anedotas, ao estilo de José Simão, da Folha de S.Paulo. Macaco Simão popularizou ações desse gênero como típicas do Brasil, o País da Piada Pronta.

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Por mais que inspire metáforas e outras figuras de linguagem, a Assembleia deu bom exemplo. Informa-se que as despesas com a quadrilha seriam bancadas pelos servidores. Coitadinhos, ficaram sem sua diversão predileta fora do expediente, só podem agir agora dentro do horário de trabalho. Horário e trabalho, aliás, que não podem ser medidos. Ninguém sabe quantos nem quais são os servidores da Assembleia. Se trabalham ou não. É desconhecido quanto o contribuinte paga pelo tempo infinito que esses honestos transpiram nos gabinetes. Portanto, apenas uma quadrilha foi cancelada. Faltam as outras.

Faltam ser canceladas as nomeações em excesso. São 72 assessores para um gabinete em que mal caberiam sete. Os deputados dão a desculpa de que os aspones estão em seus escritórios, prestando relevantes serviços. Mas até os escritórios têm de ser muito grandes para caber tanto auxiliar.

Faltam ser canceladas as imoralidades nutridas na Assembleia, como o capachismo ao Executivo, o analfabetismo na Tribuna, os projetos inúteis, o desconhecimento completo da opinião popular.

Uma quadrilha a mais, uma a menos, não quebra os operosos servidores do Legislativo, não tira o brilho da Casa do povo. Até porque essa quadrilha aí não paga viagens ao exterior nem qualquer outro tipo de farra com dinheiro público. Essa quadrilha aí bem que poderia ser mantida, pois não foi contra ela que os manifestantes quiseram quebrar a Assembleia. Os protestos foram contra a Assembleia querer quebrar as tradições do Legislativo.