O Enem já faz parte da rotina de milhões de estudantes que sonham com uma vaga no ensino superior. Agora, a prova também passa a integrar o movimento de avaliação da qualidade do Ensino Médio no Brasil. A mudança amplia ainda mais o peso do exame, que desde sua criação passou por diferentes funções até se tornar uma das principais portas de entrada para universidades.

Assista à entrevista

Para entender o que está por trás dessa mudança e por que uma prova não conta, sozinha, toda a história da educação brasileira, o Ser Goiás na TV conversou com o professor João Ferreira de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás. Na entrevista, ele explica como o Enem mudou ao longo do tempo, o que uma avaliação consegue medir e quais fatores também precisam ser considerados quando se fala em qualidade da educação. Confira a entrevista no vídeo.

Muito além da nota

Para o estudante, uma prova costuma parecer simples: fazer as questões, receber uma nota e seguir para a próxima etapa. Mas, quando um exame é usado para avaliar a educação, a leitura precisa ser mais ampla. João Ferreira explica que avaliações são importantes para que gestores tomem decisões baseadas em evidências, mas ressalta que o desempenho em uma prova não representa sozinho tudo o que acontece dentro de uma escola.

Segundo o professor, fatores sociais e históricos também influenciam o desempenho dos estudantes. “A qualidade, ela não pode ser vista só pelo desempenho do estudante”, afirma. Ele destaca que aspectos como as condições de ensino e o acesso a diferentes formas de conhecimento também precisam entrar nessa análise.

Cada estudante, uma realidade

Uma das questões levantadas na entrevista é a diferença entre as realidades educacionais brasileiras. As condições encontradas por um estudante podem ser muito diferentes das de outro, dependendo da região, da escola e das condições sociais em que vivem.

Por isso, comparar resultados sem considerar esse contexto pode produzir uma leitura incompleta. “O Brasil é um país desigual, assimétrico, com muitas desigualdades em cada região, em cada Estado, com condições de ensino muito diferenciadas”, explica o professor.

E o que acontece depois da prova?

Para o estudante, o resultado de uma avaliação não deveria terminar na divulgação dos números. A expectativa é que os dados ajudem a identificar problemas e orientem políticas públicas capazes de melhorar as condições de permanência e aprendizagem.

João Ferreira cita medidas que vão além do conteúdo cobrado em provas, como políticas voltadas à permanência dos jovens na escola. Para ele, melhorar a educação também significa olhar para a formação humana, o desenvolvimento da pessoa e o exercício da cidadania.

É justamente aí que a discussão deixa de ser apenas sobre a nota do Enem. Entender como a educação é avaliada também ajuda o estudante a perceber que os números de uma prova fazem parte de um cenário muito maior — e que melhorar a aprendizagem depende de conhecer e enfrentar as diferentes realidades presentes nas escolas brasileiras.

SER Goiás na TV

O SER Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.

O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora. Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.

Veja outros conteúdos

Geopolítica no Enem: conflitos, tecnologia e meio ambiente estão no radar da prova

Menos ansiedade, mais resultados: projeto escolar prepara alunos para o Enem desde o início do ensino médio

Enem – Sono também é estudo: dormir bem ajuda na atenção e no rendimento