Pegar o celular para conferir uma informação e, minutos depois, perceber que já passou muito tempo rolando vídeos e conteúdos nas redes sociais. A sensação de que o cérebro está apenas “descansando” pode esconder um processo bem diferente. O consumo excessivo e automático de conteúdos rápidos pode contribuir para sobrecarga mental, dificuldade de concentração e redução da capacidade de aprofundar informações.
O fenômeno ganhou o nome de brain rot, expressão em inglês que pode ser traduzida como “apodrecimento cerebral”. Para a neurologista Denise Sisterolli, da Unimed Goiânia, porém, o termo mais adequado seria “empobrecimento”, já que o problema está relacionado ao consumo superficial e constante de informações.
“Quando tudo que você aprende é instantâneo, você não se aprofunda. Você fica com um conhecimento raso”, explica a médica.
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Conhecimento raso
Apesar de ter ganhado força nos últimos anos para descrever o uso excessivo das redes sociais, a expressão brain rot não nasceu com a internet. Segundo Denise, o conceito foi utilizado originalmente pelo filósofo francês Thérrault para se referir justamente ao empobrecimento do conhecimento e à falta de aprofundamento sobre diferentes assuntos.
Com a popularização das redes sociais, o termo passou a ser associado ao hábito de consumir grandes quantidades de conteúdos rápidos, especialmente vídeos curtos, em uma sequência praticamente automática.
O problema, segundo a neurologista, não está simplesmente em utilizar as redes sociais. O ponto de atenção é quando esse consumo ocupa cada vez mais espaço e impede que a pessoa tenha momentos de descanso, convivência e concentração em outras atividades.
Falso descanso
Assistir a vídeos e passar de um conteúdo para outro pode parecer uma forma de relaxamento depois de um dia cheio. Mas, para o cérebro, a experiência pode ser diferente.
De acordo com Denise, a grande quantidade de informações, temas e estímulos faz com que o cérebro permaneça constantemente tentando processar o que está sendo apresentado.
“Você acha que esse é seu momento de descanso, mas coloca o cérebro para trabalhar no momento em que deveria descansar”, afirma.
Para a médica, o descanso pode envolver silêncio, contemplação, música, uma apresentação artística ou até mesmo um filme. A diferença é que essas atividades permitem uma experiência mais contínua, em vez da sucessão de estímulos rápidos proporcionada pela rolagem automática das redes.
Sinais de alerta
Dificuldade de concentração, impaciência e necessidade de consumir conteúdos cada vez mais rápidos podem ser sinais de que é hora de observar a relação com o celular. Mas a neurologista chama atenção para situações ainda mais importantes.
Entre os sinais de alerta estão a dificuldade de interromper o uso das redes sociais para participar de uma refeição em família, deixar de dormir por causa do celular ou substituir encontros presenciais pelo contato virtual.
Outro ponto levantado pela médica é a comparação com vidas apresentadas nas redes sociais. Como os conteúdos costumam mostrar recortes positivos da realidade, a exposição constante pode provocar frustração e alimentar sentimentos de ansiedade.
“Na rede social, muitas vezes, é um conto de fadas. A vida real não existe nas redes sociais”, afirma Denise.
Menos rolagem, mais presença
A saída, segundo a neurologista, não precisa ser abandonar completamente a tecnologia. O caminho é estabelecer limites e recuperar espaço para atividades que acontecem fora das telas.
Uma estratégia simples é definir horários para acessar as redes e evitar o celular durante refeições, encontros familiares, apresentações e outros momentos de convivência.
A médica também recomenda reservar períodos para atividades presenciais, como encontrar amigos, praticar esportes, nadar, ir ao teatro ou simplesmente sair de casa sem transformar cada momento em conteúdo para as redes.
Em situações mais graves, quando o uso da tecnologia começa a interferir de maneira significativa no sono, nos relacionamentos, na concentração ou na saúde mental, Denise orienta buscar ajuda profissional, como psicólogo, psicoterapeuta ou psiquiatra.
A tecnologia, portanto, não precisa ser tratada como vilã. As redes também podem ampliar o acesso à informação e despertar o interesse por novos assuntos. O desafio está em não deixar que a rolagem automática substitua a curiosidade, o aprofundamento, o descanso e a vida fora da tela.
SER Goiás na TV
O Ser Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.
O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora.
Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.
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