A estratégia do governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição, neste momento é clara e objetiva: aumentar a perspectiva de poder.
Neste sentido, os resultados da pesquisa Fortiori/Jornal Opção (LEIA AQUI) ajudam em um sentido preciso: catapultar a sua chance espalhando o medo. Assim serão lidos e divulgados por eles. Naturalmente.
A nova pesquisa vem logo depois da Serpes/O Popular (LEIA MAIS AQUI) e fortalece, com índices, a visão – que não por coincidência é a mais trabalhada pela assessoria do tucano – de que ele está em crescimento, enquanto os demais ou permanecem estáveis, ou estão em queda.
Tem uma lógica eleitoral. Como os seus índices reais de avaliação não são os mais positivos, o melhor é trabalhar com o aumento da possibilidade de que ele “vai ganhar”.
Nada de novo no front. Basta lembrar este refrão de um jingle de campanha passada: “O Marconi vai ganhar, vai ganhar… O Marconi vai ganhar, vai ganhar…”.
Todos sabem que Marconi é um político em regime integral. Que é bom de campanha. Joga pra ganhar, doa a quem doer. Se os fins não justificam os meios, pouco importa.
Sendo assim, dizer que ele está em situação ruim mas é capaz de reverter a qualquer momento, não soa absurdo. Como não é fora de contexto afirmar que ele ainda não entrou pesado na campanha, o que deve fazer só mesmo lá para meados de agosto. E que, quando o fizer, será na base do arrasa-quarteirão.
É, inclusive, o que vem sendo repetido por sua equipe. “Ele ainda não começou a fazer campanha”; “Ele vem com tuto”… “Ele tá rindo à toa, porque sabe como ganhar”… Dizem esse tipo de coisa. Como autoafirmação e como provocação aos adversários.
Fortalecer a ‘convicção’ de que Marconi, apesar dos pesares, “vai ganhar” é um tiro na própria realidade mostrada verdadeiramente pelas pesquisas, inclusive as duas citadas: ele não deslancha; mais: apesar de estar em campanha há vários meses, os seus adversários estão ali, em seu calcanhar.
Mas isso não importa. Aliás, é por isso mesmo que a estratégia se justifica.
O próximo passo serão declarações ufanistas de aliados anunciando que os números fazem prever que ele vai ganhar no primeiro turno. Ou seja: uma dose a mais de ‘medo’ na direção de ‘vender’ a ideia de vitória certa, infalível etc.
A estratégia não é nova. Funciona como um trator passando por cima das pedras no meio do caminho.
Tem outros objetivos:
1 – abalar os adversários Iris Rezende (PMDB), Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT), que se animaram principalmente na última semana com a denúncia de ‘caixa 2’ no Detran feita pelo deputado federal e candidato a senador pelo DEM/PMDB Ronaldo Caiado;
2 – animar os possíveis aliados que vacilam entre jogar-se de vez na campanha e ficar no muro, esperando clarear o cenário para então agir;
3 – cercar aqueles que já colocaram um pé em outra canoa, prontos para abandonar o barco marconista;
4 – desanimar possíveis financiadores de campanha a ‘investir’ em outros nomes.
Marconi faz seu jogo aproveitando-se da ‘inocência’ dos adversários, que perdem tempo em desqualificar as pesquisas, embora eles mesmos nem tenham pesquisas para saber qual a verdade, em que pé está realmente a disputa neste ponto.
O tucano sabe que Iris, Vanderlan e Gomide não são profissionais. Se eles não têm pesquisas para se guiar na eleição, muitos menos têm para publicar ou divulgar como contraponto às que saem.
E que, enquanto os três fazem caminhadas e discursos, pregam mudanças e reclamam de seu ‘modus operandi’ esperando a vitória cair do céu, ele tem apenas que fazer o básico: trucar e subir na mesa.
Política não é para amadores. Nunca foi centro cultural de choro. Sempre será campo inevitável de guerra.
Marconi é o que é, faz o que faz. E está na frente.
A realidade é uma só. Por enquanto, ele só tem um adversário a temer: o povo.
Se o povo goiano estiver cansado dele, muda em qualquer direção, e só aí a sua estratégia terá efeito zero; se não estiver, segue em frente com ele mesmo. Não é exatamente “seguir mudando” o mote da sua campanha?
Marconi conhece muito bem isso. Em 1998, seu jingle de campanha, que pregava justamente a mudança e o ‘tempo novo’, dizia algo assim: “O povo dá o poder quando quer, mas também tira quando cansa.”
O povo goiano é, por ora, o único adversário de Marconi. Os outros candidatos, não. Pelo menos, ainda não.
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