A Rápido Araguaia, empresa concessionária de parte do sistema de transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia, conseguiu, na última segunda-feira (21), a suspensão da liminar contra a busca e apreensão de 295 ônibus de sua frota. A decisão foi concedida pelo desembargador José Henrique Arantes Theodoro, do Tribunal de Justiça de São Paulo, que entendeu que a decisão causaria grande prejuízo social, já que os ônibus atendem a população dependente do transporte coletivo.

Os ônibus foram apreendidos na madrugada de sábado, em ação do Banco Volkswagen pelo atraso de sete meses no pagamento do financiamento que adquiriu a frota em 2009. Em entrevista à rádio 730, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros Goiânia, Décio Caetano, explica sobre a atual situação do transporte coletivo:

“Na verdade essa ação externa uma crise que o setor vem vivendo nos últimos anos, principalmente após 2013, com as manifestações em todo o Brasil. Na época houve uma redução de 30 centavos na tarifa e desde lá isso vem gerando um problema para as empresas. Sem reajuste desde então, em 2015 houve um reajuste, mas infelizmente, o sistema ainda está desequilibrado. Não é um caso só da Rápido Araguaia”.

Um balanço realizado entre 2009 e 2014 entregue ao Ministério Público, resume que as empresas de Transporte Coletivo tiveram cerca de 100 milhões de prejuízo, ao longo dos anos. Esse valor, era antes financiado pelos bancos, o que não ocorre mais devido à crise no setor, como explica Décio Caetano:

“Esse prejuízo vinha sendo financiado pelos bancos, hoje em dia não acontece mais. A crise é geral no setor, que se soma à crise nacional. Na verdade é um colapso estrutural e conjuntural. Isso tem que ser revisto de uma maneira geral. O único método de custeio do sistema hoje é a tarifa cobrada do usuário, que paga todas as despesas e os custeios das empresas. Ela financia todo o sistema, mas uma parte tinha que ser financiado pelo governo, para que haja qualidade”, finaliza.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros Goiânia, as tarifas devem ser reajustadas em fevereiro de 2016.