O dia 20 de agosto de 2016 faz parte da história do futebol brasileiro. Nesta data, a Seleção Brasileira masculina venceu a Alemanha por 5 x 4 nos pênaltis, após empate em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogação. O Maracanã foi palco da conquista da medalha de ouro (no futebol) brasileira pela primeira vez na história das Olimpíadas.

Neymar, o craque do time de Rogério Micale, marcou o gol aos 26 minutos do primeiro tempo. Meyer empatou aos 13 do segundo tempo. Quis o destino que Weverton, o goleiro convocado na véspera dos Jogos (por conta da lesão de Fernando Prass), fizesse a diferença ao defender a última cobrança alemã.

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A equipe canarinho teve uma campanha impecável defensivamente até a final, quando foi vazada pela primeira vez, acabando o torneio sem sofrer gol. O ataque, que acabou com 13 gols mostrou evolução nas partidas decisivas. E os jovens mostraram que têm qualidade e que a safra do futebol brasileiro é, sim, talentosa.

Foi a 17ª medalha brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016, sendo a sexta de ouro. São seis de prata e cinco de bronze.

1º tempo

O primeiro tempo começou sendo dominado pela seleção germânica. Logo aos 3 minutos, Brandt avançou pela direita e, pressionado por Rodrigo Caio, chutou para fora. Aos 5, Gnabry deu linda enfiada de bola para Selke na esquerda, mas o goleiro Weverton mostrou estar ligado e afastou de carrinho. Aos 10 minutos, Brandt recebeu na entrada da área, teve tempo e liberdade para arrumar o corpo e bater colocado, carimbando o travessão brasileiro.

A bola no travessão serviu para acordar o Brasil, que, aos poucos, foi ganhando campo e crescendo na partida. Douglas Santos arrancou pela esquerda e cruzou para Luan chutar de primeira, mas Ginter, de cabeça, salvou. Aos 22, Neymar cobrou escanteio da direita e Renato Augusto, na área, chutou rasteiro, para fora.

Aos 25 minutos, Neymar apostou na individualidade e acabou sofrendo falta pelo lado esquerdo de ataque. O próprio Neymar, camisa 10 e capitão do time, foi para a cobrança e executou com perfeição: um chute no ângulo, com a bola tocando no travessão para o gol ficar ainda mais bonito: 1 x 0.

A Alemanha voltou a ter mais posse de bola e, por muito pouco, não chegou ao empate. A primeira chance veio aos 30, quando Meyer cobrou falta da esquerda, a bola desviou em Marquinhos dentro da área e tocou no travessão. No minuto seguinte, após cobrança de escanteio da direita, Meyer pegou a sobra dentro da área e finalizou, parando em grande defesa de Weverton.

Aos 34, Meyer cobrou falta para área e Sven Bender cabeceou, acertando o travessão brasileiro, pela terceira vez na etapa inicial. A última oportunidade dos 45 minutos iniciais foi  germânica: aos 41, Meyer chutou prensado pela marcação, a bola ganhou altura e Weverton salvou em cima da linha.

2º tempo

As duas seleções voltaram do intervalo sem alterações. O confronto seguia equilibrado, com o Brasil com um pouco mais de posse de bola. Porém, a partir dos 10 minutos, os brasileiros começaram a errar muitos passes. E foi em um erro na saída brasileira que a Alemanha chegou ao empate aos 13 minutos. Walace e Marquinhos erraram passes e os germânicos acionaram Toljan na ponta direita. O lateral cruzou rasteiro para Meyer, sozinho na área, pegar de primeira, finalizando cruzado e rasteiro para balançar as redes: 1 x 1.

Aos 19, Renato Augusto arrancou pela direita e cruzou rasteiro para Gabriel Jesus, que chegou dividindo contra os zagueiros adversários, e chutou para fora.

Com o final do segundo tempo se aproximando, o confronto foi ficando tenso. Qualquer erro definira o duelo. Ou uma jogada individual também seria decisiva. E ela quase veio aos 31, quando Neymar deu assistência maravilhosa, nas costas da defesa, para Felipe Anderson, que demorou chutar e foi desarmado na risca da grande área. No minuto seguinte, Neymar fez jogada individual e arriscou de fora da área, mandando a bola perto da trave. Aos 33 foi a vez de Luan finalizar da entrada da área e Horn salvou sem dar rebote.

Aos 40 minutos, a Alemanha encaixou um rápido contragolpe e Petersen foi lançado pela esquerda. O atacante brecou e rolou para Meyer, que chutou rasteiro, cruzado, da entrada da área e mandou perto do gol. Aos 48 minutos, o árbitro iraniano encerrou o jogo. Com o 1 x 1 no placar, a decisão do ouro foi para a prorrogação.

Prorrogação

O cansaço dos jogadores pesou na prorrogação e, com a possibilidade de um gol definir a partida, ninguém se arriscava, com medo de falhar. Por isso, as chances criadas foram raras. Aos 6 minutos, Douglas Santos deu lindo passe em profundidade para Luan, que avançou pela direita, entrou na área, mas demorou muito para finalizar, sendo desarmado pela defesa alemã. Os germânicos responderam no lance seguinte, quando Brandt recebeu lançamento longo pelo alto e, dentro da área, esticou a perna direita e mandou perto do ângulo.

Com menos de um minuto do segundo tempo da prorrogação, Neymar deu assistência para Felipe Anderson, que entrou na área e chutou de direita, parando na boa saída do goleiro Horn. Aos 5 minutos, Neymar arriscou finalização do bico da grande área pela esquerda, mas pegou muito embaixo na bola e mandou sobre o gol.

Pênaltis

Os alemães começaram cobrando. E converteram com Ginter. Renato Augusto chutou forte, no alto, para empatar. Nas três cobranças seguintes, Gnabry, Brandt e Süle anotaram para os germânicos, enquanto Marquinhos, Rafinha e Luan fizeram para o escrete canarinho.

Na última cobrança da Alemanha, Petersen cobrou no canto direito e Weverton, o goleiro que foi convocado para substituir o lesionado Fernando Prass (cortado na última semana antes dos Jogos), voou para defender. O destino foi generoso com Weverton. Com Rogério Micale, responsável pela surpreendente convocação do arqueiro do Atlético Paranaense. E foi generoso também com Neymar.

Contestado no início da campanha, o camisa 10 do Brasil mostrou frieza na última penalidade, deslocando Horn. A bola balançou as redes do Maracanã e explodiu a torcida brasileira, que vibrava com a conquista do tão sonhado ouro olímpico.

Ficha técnica:
Brasil 1 x 1 Alemanha
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Gols: Neymar (BRA) aos 26′ 1T (1-0) e Meyer (ALE) aos 13’ 2T (1-1)
Arbitragem: Alireza Faghani (Irã); Reza Sokhandan (Irã) e Mohammadreza Mansouri (Irã).

BRASIL: Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace e Renato Augusto; Luan, Gabigol (Felipe Anderson), Gabriel Jesus (Rafinha Alcântara) e Neymar.
Técnico: Rogério Micale

ALEMANHA: Horn; Toljan, Ginter, Süle e Klostermann; Sven Bender, Lars Bender (Proemel), Brandt, Meyer e Gnabry; Selke (Petersen).
Técnico: Jorge Luis Pinto