A assessoria jurídica do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) emitiu nota na qual o ex-presidente da Câmara Federal considera como “absurda” e “sem nenhuma motivação” a prisão preventiva dele nesta quarta-feira (19), em Brasília, em força tarefa da Operação Lava Jato.
A prisão de Cunha foi realizada pela Polícia Federal (PF) no início da tarde, no apartamento funcional do ex-parlamentar, localizado na Asa Norte, na capital federal. De acordo com o advogado de Cunha, Ticiano Figueiredo, em entrevista coletiva na capital paranaense, não há elementos para a prisão do ex-deputado. Ele relata como foi a abordagem dos policiais no apartamento de Cunha.
“Os policiais educadamente aguardaram o Eduardo (Cunha) juntar algumas coisas e, para evitar uma exposição ainda maior, saíram da garagem direto para o hangar da PF e na sequência aqui para Curitiba. Esse pedido de prisão ficou no Supremo Tribunal Federal (STF) por mais de quatro meses. O STF não decidiu, o que significa que não havia elementos para prender”, afirma.
A prisão foi decretada na ação penal em que o deputado cassado é acusado de receber R$ 5 milhões, que foram depositados em contas não declaradas na Suíça. O valor seria oriundo de vantagens indevidas, obtidas com a compra de um campo de petróleo pela Petrobrás em Benin, na África. O processo foi aberto pelo STF, mas após a cassação do ex-deputado, a ação foi enviada para o juiz Sérgio Moro, porque Cunha perdeu o foro privilegiado.
Outro argumento utilizado para justificar o pedido de prisão de Cunha na força-tarefa de procuradores da Lava Jato, é o de que a liberdade do ex-deputado representava risco às investigações.
Eduardo Cunha desembarcou em Curitiba por volta das 16h45, de onde seguiu para a carceragem da PF na capital paranaense, onde já conversou com advogados conforme procedimento protocolar.
Além da prisão do ex-deputado, o Ministério Público Federal (MPF) determinou também o bloqueio de bens dele, da esposa, Cláudia Cruz, e da filha do casal, Danielle Ditz da Cunha. Entre os bens, estão oito carros de luxo como dois Porsche Cayenne, um Land Rover Freelander, um Hyundai Tucson, um VW Tiguan e um Passat Variant, um Ford Edge e um Fusion.
A esposa de Cunha já responde na Justiça do Paraná por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações apontam que Cruz foi favorecida com propina de cerca de R$ 1,5 milhão, por meio de contas na Suíça.
Leia a nota de Cunha na íntegra:
“Tendo em vista o mandado de prisão preventiva decretado hoje pela 13ª vara federal do Paraná, tenho a declarar o que se segue:
Trata-se de uma decisão absurda, sem nenhuma motivação e utilizando-se dos argumentos de uma ação cautelar extinta pelo Supremo Tribunal Federal.
A referida ação cautelar do Supremo, que pedia minha prisão preventiva, foi extinta e o juiz, nos fundamentos da decretação de prisão, utiliza os fundamentos dessa ação cautelar, bem como de fatos atinentes à outros inquéritos que não estão sob sua jurisdição, não sendo ele juiz competente para deliberar.
Meus advogados tomarão as medidas cabíveis para enfrentar essa absurda decisão.”








