Sagres em OFF
Rubens Salomão

Adesão ao RRF em ano eleitoral gera preocupação entre lideranças da base caiadista

A entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) a partir de janeiro de 2022, como antecipado pela procuradora-geral do Estado, Juliana Prudente, e detalhado pela secretária de Economia, Cristiane Schmidt, ambas em entrevistas exclusivas à Sagres, gera preocupação, para dizer o mínimo, entre lideranças da base política do governador Ronaldo Caiado (DEM). Os aliados têm reforçado junto ao governo, desde o ano passado, a necessidade de investimentos e entregas de obras e serviços nas bases eleitorais, com vistas à eleição do próximo ano e, agora, temem que os benefícios possam não sair do papel.

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Líderes políticos da base caiadista confirmam, em conversas com a Coluna, o receio de que as restrições impostas pelas Leis Complementares 159/2017 e 178/2021 deixem o governador de mãos atadas justamente no ano eleitoral. A maior preocupação não é com a reeleição do governador, mas com a viabilidade de candidaturas governistas a deputado federal e estadual. “Não sei exatamente o que está nesse termo de ajuste, mas é possível que sobre um dinheiro com a renegociação das dívidas. Agora, com certeza, vai ser um problema junto ao funcionalismo público e é possível que atrapalhe, sim”, avalia um auxiliar, que deve deixar o cargo no ano que vem para ser candidato.

O mesmo caiadista aponta que fica na torcida: “tomara que o governador tenha feito a opção correta, mas neste momento eu tenho medo. Fica muito bom para o currículo de quem conseguiu enquadrar o estado, mas tem que ver o estrago que isso vai causar eleitoralmente, né?”. Na Assembleia Legislativa, a avaliação é de que serão retomadas internamente as manifestações contrárias à entrada de Goiás no RRF e já existe previsão de reuniões, nos próximos dias, com o governador e parte da equipe com deputados na tentativa de viabilizar os 25 votos necessários para aprovação da PEC que, mais uma vez, pede autorização para adesão ao RRF.

Foto: Ronaldo Caiado durante visita recente aos municípios de Iporá e Amorinópolis. (Crédito: Hegon Côrrea/Gov)

Otimismo

Um palaciano próximo ao governador e entendido das questões fiscais, no entanto, tem visão mais otimista. Diz à Sagres em OFF que, em balanço geral, não acredita em prejuízo político para a base aliada. “Tem custo, mas tem benefício”, considera.

Dinheiro novo

O auxiliar conta que a expetativa na cúpula do governo é que haverá tempo para “chegar empréstimo e já dar o ponta pé inicial em muitas obras e ações” e redutos eleitorais importantes. A conferir.

Veto derrubado

O plenário da Assembleia Legislativa derrubou veto do governador, com 28 votos favoráveis e apenas dois contrários, à lei que reconhece instituições religiosas como serviços essenciais em períodos de calamidade pública em Goiás.

Efeitos

O texto, de autoria do deputado Jeferson Rodrigues (Republicanos), que é pastor da Igreja Universal, espera garantir que igrejas não sejam afetadas por decretos de isolamento social. O deputado lembra a prefeitos que o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu aos municípios autonomia para tomar decisões relacionadas ao combate à covid-19. “Peço, novamente, que não fechem os templos religiosos”, disse Jeferson.

Lado definido

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Humberto Aidar (MDB), escolheu o deputado Talles Barreto (PSDB) como relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO). Humberto tem acordo para ocupar vaga aberta no TCM e Talles é contra a extinção do tribunal.

Aposentadoria

A PEC do TCM completou prazo regimental e teve tramitação iniciada. Como antecipado aqui, estudo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) será apresentado em audiência pública, com posição pela inviabilidade de absorção da estrutura do TCM. O argumento será o motivo oficial para mudança de lado adotado por deputados que apoiavam a PEC antes da aposentadoria do ex-conselheiro Nilo Resende.

Desconversou

O deputado Álvaro Guimarães (DEM) insistiu e arrancou uma declaração de Humberto Aidar sobre a indicação à vaga no TCM. Na reunião de ontem da CCJ, perguntou ao presidente do colegiado: “Vamos mesmo para o tribunal ou ainda estamos pensando?”, ao que Humberto rebateu: “O senhor se refere a alguma visita que a comissão vai fazer no TCM?”, disse, aos risos.

Insistência

Na sequência, Álvaro foi mais objetivo e perguntou se o Aidar vai “abandonar” os colegas para assumir cadeira no tribunal. “Jamais abandonarei os companheiros, estando onde estiver. Vamos aguardar para ver os acontecimentos”, disse Humberto Aidar.

Pelas redes

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em conjunto com o Fórum Goiano de Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania, organizam manifestação “Povo na Rua pelo Fora Bolsonaro”. A convocação ocorre pelas redes sociais e o ato está marcado para este sábado, às 9h, na Praça Cívica.

Prestação de contas

O prefeito de Anápolis, Roberto Naves (PP), presta contas dos gastos relativos ao primeiro quadrimestre de 2021, na próxima segunda-feira (31), às 9h30, na Câmara municipal. A sessão contará com transmissão ao vivo pelo canal da TV Câmara no Youtube.

Solicitação

Com ampla base de apoio na Casa, a audiência foi pedida pela prefeitura e agendada pelo presidente da Câmara Municipal, Leandro Ribeiro (PP). O secretário de Economia, Valdivino José de Oliveira, também vai participar.

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