Alfabetização de futuros: a lição que não podemos adiar

O futuro nunca chegou tão rápido — e, paradoxalmente, nunca pareceu tão distante. Entre a ansiedade e a esperança, as juventudes brasileiras vivem um cabo de guerra emocional: de um lado, o medo do amanhã; de outro, a potência de reinventá-lo. É o que revela o estudo Da Futurofobia à Futurotopia, que ouviu jovens de todo o país e descobriu algo essencial: imaginar é um direito… mas também é uma habilidade que se aprende.

É aí que entra a alfabetização de futuros — ou future literacy. Se alfabetizar é aprender a decifrar e criar palavras, alfabetizar o futuro é aprender a decifrar e criar possibilidades. É ganhar repertório para ler sinais do presente, escrever novas narrativas e interpretar cenários que ainda não existem. É transformar a incerteza em matéria-prima para a ação.

Em nosso país essa conversa é mais urgente do que parece. Aqui, jovens encaram, todos os dias, os efeitos da desigualdade, da crise climática, da polarização política e da instabilidade econômica. Mas aqui também florescem sinais de futurotopia: estudantes que inventam soluções tecnológicas para problemas da comunidade, coletivos culturais que transformam a cidade, iniciativas escolares que conectam ciência, arte e meio ambiente. Esses exemplos mostram que, quando há espaço, a imaginação vira motor de mudança.

O problema é que nossos currículos ainda vivem presos ao século passado. Alteramos as diretrizes do Ensino Médio e continuamos preparando alunos para responder perguntas já conhecidas, enquanto o mundo real exige coragem para formular as que ainda não existem. Revisar os modelos educacionais e incluir práticas de future literacy é vital: ensinar a lidar com a incerteza, planejar com criatividade, cooperar para resolver desafios complexos e enxergar o amanhã como território compartilhado.

Não se trata de uma pauta “para depois”. Cada dia em que adiamos, o campo simbólico do futuro encolhe — e com ele, a capacidade de projetar um amanhã melhor. Alfabetizar para o futuro é tarefa de hoje, aqui e agora. É uma missão que começa na sala de aula, mas que precisa transbordar para praças, empresas, redes digitais e políticas públicas. Porque, como mostram as vozes juvenis do estudo, o futuro não é algo que vai nos acontecer — é algo que podemos escrever juntos.

[COP À COP]

Inclusão Climática… O avanço do mercado de carbono no Brasil, com a Resolução nº 19/2025 do Conaredd publicada em agosto de 2025, amplia as bases para projetos de redução de emissões e créditos em territórios coletivos. A legislação traz desafios de governança, mas também abre caminho para que a transição verde seja socialmente inclusiva.

Incerteza Global…  O fracasso nas negociações do Tratado Global do Plástico na ONU gera insegurança sobre compromissos ambientais e pressiona a agenda da COP30 em Belém. A falta de consenso entre países expõe a urgência de políticas concretas contra a poluição plástica (Folha). 

Patrimônio em Risco… Os moais, símbolos da Ilha de Páscoa, enfrentam ameaça real de destruição devido ao aumento do nível do mar e ondas mais violentas até 2080. Além de sua importância histórica e cultural, a perda afetaria o turismo e a subsistência local (ScienceDirect, AP News).
Agenda Amazônica… A presidência da COP30 publicou o calendário oficial: Educação integra o bloco temático de 12–13 de novembro, junto a Saúde, Empregos, Cultura, Justiça e direitos humanos, Integridade da informação e Trabalhadores — com destaque ao anúncio do Balanço Ético Global. Calendário oficial.