Após a reunião do Conselho de Administração da Celg PAR, que aprovou a alienação das ações da empresa para a venda da Celg GT (Geração e Transmissão), a Associação dos Trabalhadores de Geração e Transmissão de Energia vai acompanhar os desdobramentos das medidas administrativas e judiciais já em curso para evitar que eventuais nulidades no processo de privatização tragam prejuízos à companhia ou à população.
A principal preocupação da entidade que representa os trabalhadores é com o modelo de desestatização escolhido pelo governo. No formato de leilão especial a companhia vai ser ofertada em uma modalidade que representa menor rentabilidade que a de fato poderia ocorrer. A associação entende que o Estado tem condições de discutir outra modelagem que seja menos danosa para os cofres públicos.
Acionistas da CelgPar entraram com ação contra o processo de venda da empresa. Em entrevista à Sagres 730, Gerson Rosa, um dos acionistas minoritários da CelgPar, explicou porque não concorda com a forma de privatização escolhida pelo governo.
“Sobre a venda eu não posso opinar porque isso é uma decisão do governo. Mas da forma como está sendo feita, eu como acionista minoritário, assim como os outros, terei prejuízo. Então o que eu questiono é a forma escolhida para a privatização. E eu vou além, na última assembleia dos acionistas, apresentei uma proposta que é possível o estado conseguir esse valor vendendo apenas parte da empresa e, adotando um regime de administração parecido com o da Cemig, que detém 51% das ações”, argumentou.
Confira a íntegra da entrevista:
A Celg GT é subsidiária da CelgPar, Gerson Rosa detalhou que foi contratada uma empresa avaliadora. Segundo ele, essa avaliadora fez um levantamento técnico e apresentou um relatório sugerindo aos acionistas majoritários oito modelos de alienação. Para Gerson Rosa existem outras opções em que é possível vender a empresa no preço que ela foi avaliada e sem pagar um grande capital.
“Eles estão querendo vender a Celg por R$1,5 bilhões e pagar imposto de renda de aproximadamente R$170 milhões. Esse dinheiro não vai ficar no estado, ele vai passar direto para o Governo Federal e não retornará para o estado. Então se a venda está sendo concretizada para trazer dinheiro para o estado, porque não fazem na modalidade menos prejudicial? Onde é possível vender e não pagar esse grande capital”, afirmou.
“O governo escolheu a modalidade da venda mais rápida, que é a projeção para 12 meses. Foi sugerida uma outra modalidade que não há ganho de capital com 18 meses. Eu, como acionista, manifestei na assembleia uma outra opção que não foi apresentada pelo estudo, de vender parte da empresa e conseguir o mesmo valor que o estado está necessitando nessa pandemia”, frisou.
De acordo com Gerson o estado possui 99,9% das ações, o que equivale a aproximadamente 78 milhões de ações. O que o acionista sugere é que as ações da sejam vendidas na bolsa.
“O estado hoje tem 77.805.603 de ações, isso a preço de mercado no fechamento de ontem, em cada ação foi negociada a R$68,00, se todas elas fossem vendidas no mercado traria para os cofres públicos de Goiás R$5.290.781.004. Essa foi a proposta que eu trouxe para a assembleia (…). É a modalidade que não se paga dano e o estado pode ainda continuar a ser dono e controlador da empresa”, explicou.
A privatização da estatal tem gerado muitos questionamentos entres os trabalhadores da companhia e os acionistas minoritários. Há ações na justiça, denúncia no Ministério Público de Goiás (MP-GO) e Manifestação na Comissão de Valores Imobiliários (CVM). Gerson Rosa ressaltou o que está questionado na justiça.
“Estamos questionando a deliberação da assembleia que houve, a abstenção do estado de votar e a mudança repentina do endereço do local da assembleia, no dia da assembleia. E tem a questão do Ministério Público, da denúncia que está sendo feita, entendo que o estado terá prejuízo com a venda que está sendo feita. Estou aguardando as decisões tanto do Ministério Público, quanto da justiça para a gente ver os próximos passos”, finalizou.













