A Articulação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Cerrado lançou no último mês de setembro a Campanha de financiamento coletivo Salve uma Nascente, na plataforma Benfeitoria. O objetivo da iniciativa é recuperar cinco nascentes que correm risco de desaparecer, localizadas em comunidades camponesas acompanhadas pela CPT, como explica a coordenadora da Campanha e da Articulação das CPT’s do Cerrado, Leila Cristina Lemes, em entrevista à Sagres TV nesta segunda-feira (25).
“A ação vai contemplar não só o estado de Goiás, mas também o Piauí, o Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A ideia é que essa campanha possa se multiplicar”, afirma. Assista à entrevista na íntegra a seguir a partir de 00:03:00
Segundo a CPT, o Cerrado e suas áreas de transição abrangem cerca de 36% do território nacional, ou seja, mais de ⅓ do território brasileiro, e é a mais importante área de recarga hídrica do país. Se conservada, a água que brota dos lençóis subterrâneos pode garantir qualidade e quantidade suficiente para atender as necessidades da rica biodiversidade brasileira, do campo e também da cidade.

Conhecido como o berço das águas, o bioma abriga nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas brasileiras, indispensáveis para o consumo e geração de energia no país e de alguns dos principais rios que percorrem o território brasileiro e o continente sul-americano: Rio Araguaia, Rio Tocantins, Rio São Francisco, Rio Paraguai, Rio Parnaíba, Rio Gurupi, Rio Jequitinhonha, Rio Paraná, entre outros.
Leila Lemes enumera alguns dos principais causadores do desaparecimento de nascentes no bioma. “A questão do bombeamento dos projetos de irrigação nas grandes lavouras do agronegócio, é uma problemática. Outra é questão do desmatamento acelerado, porque essa conservação da vegetação é fundamental para a manutenção dos níveis de água. Se a gente tira essa vegetação nativa, ela vai causar assoreamentos e as nascentes e rios vão secar”, pontua.
Conheça as Nascentes que serão salvas
Piauí
Nascente no Território Vão do Vico, Município de Santa Filomena. A comunidade indígena Gamela conta com 17 famílias e vem sofrendo com a ação de grileiros e com o avanço da soja. A mata de cobertura de proteção das nascentes foi destruída e as chuvas carregaram muita areia, soterrando muitas delas.
Maranhão
Uma das nascentes do Rio Itapecuru, um curso d’água com 1.450 quilômetros de extensão e largura de 50 a 120 metros, que banha o Estado do Maranhão. As primeiras águas brotam no “Vão do Pinto”, no município de São Raimundo das Mangabeiras. A bacia do Itapecuru abastece 60% da população da capital São Luís, além de outras cidades no Estado.
Goiás
A nascente do Rio Caldas abastece todo o distrito do Cruzeiro do Bom Jardim, localizado no município de Silvânia. Ali vivem 40 famílias que sobrevivem da agricultura familiar. A comunidade enfrenta o problema do desmatamento e da diminuição das águas com o avanço da monocultura da soja e a pulverização de agrotóxicos.
Mato Grosso
A nascente a ser recuperada está na comunidade Poço Azul, no município de Poxoréu. A comunidade do local é composta por 16 famílias tradicionais. A nascente está secando devido à falta de vegetação nativa, o que coloca em risco a subsistência da comunidade, já precisam da água para o plantio de hortas, quintais produtivos e pequenas roças.
Mato Grosso do Sul
A nascente a ser recuperada está no município de Sidrolândia, dentro de uma área de reserva legal. As famílias que vivem nesse assentamento precisam da recuperação da nascente, que secou por conta da ação do gado que pisoteou as margens. Para recuperá-la, serão necessários novos arames e palanques, a fim de proteger o acesso, além de mudas de vegetação nativa do Cerrado.








