Geralmente os contos começam com ‘Era uma vez’. Em alguns casos a Lua Cheia predomina e ilumina enredos, sejam eles infantis, românticos ou de aventura. Paradoxalmente o futebol tem seus meandros nas histórias. Assim começou a inédita participação da Associação Chapecoense de Futebol na Série B. Numa cidade em que o turismo é baseado em fatos sobrenaturais, o Verdão do Oeste de Santa Catarina carimbou sua estreia com vitória sagaz na noite desta sexta-feira (24), no Sul de Minas Gerais, diante do Boa Esporte.

Logo no primeiro minuto, o ímpeto já conhecido dos comandados por Gilmar Dal Pozzo pode ser visto. Em ataque pelo lado esquerdo a bola saiu em escanteio. Na cobrança de Fabinho Alves, o centroavante Bruno Rangel cabeceou perto do gol. Era um prenúncio de que a noite seria do camiseta nove. A resposta mineira veio com Juba, que após passe de Marcelinho Paraíba, chutou forte. A zaga aliviou para tiro de canto.

Apesar de boas chegadas da Chapecoense, com Athos sendo o maestro no meio de campo, as redes seguiam intactas. Até que Fabiano avançou pela direita e tabelou com Diego Felipe. Na sequência cruzou rasteiro, no ponto futuro para Bruno Rangel que por trás da defesa adversária meteu para o fundo da meta de Jonatas.

Os donos da casa começaram a escutar burburinho do torcedor presente nas arquibancadas. Buscando o empate, partiu para o ataque e chegou duas vezes com perigo antes do intervalo. Ambas apareceu a estrela de Nivaldo. Na segunda, uma defesa considerada milagrosa, daquelas que somente quem assiste acredita, porque senão vira mito, assim como os temas propostos no primeiro parágrafo desta crônica.

As equipes voltaram iguais para a segunda etapa. E quis o destino que alguém na cabine onde posicionou-se os representantes da equipe que não atuam em campo, afirmasse que o segundo gol seria logo no princípio da parte complementar. Dito e feito. O estreante Alan recebeu passe de Bruno Rangel e, de primeira, chutou rasteiro, no canto direito do arqueiro oponente.

Não tardou para a festa ficar ainda maior e a goleada aparecer. Reconhecido como o melhor volante do Estadual encerrado há poucos dias, Wanderson foi premiado com uma cobrança magnífica de escanteio pelo camiseta dez, Athos. O jogador subiu entre os defensores e testou fulminante para ampliar o escore. O 3 a 0 no placar eletrônico do estádio Dilzon Melo eram a certeza de que a primeira vez estava consolidada, logo aos oito minutos.

O artilheiro noturno, Bruno Rangel, marcou mais uma vez, aos 23 minutos. Em falta pela esquerda de ataque, Athos levantou para a área e o atacante desviou, contando com a colaboração do número 1.

Para que não ficasse traduzido como lenda, o quatrilho sofreu uma pequena lástima com o gol de Karanga, em completo impedimento, aos 28’. Contudo, na primeira rodada em que houve chuva, frio, Lua Cheia, 12 torcedores que vieram de Chapecó e mistérios, o ET não apareceu. Mas o Verde sim. Era uma vez uma estreia brilhante em Série B.

Ficha técnica
Boa Esporte 1×4 Chapecoense – 1ª rodada da Série B 2013

Boa Esporte
Jonatas, Grafite, Lázaro, Hélio e Airton; Mineiro, Marabá (Rodrigo Souza), Betinho e Marcelinho Paraíba; Marcelo Macedo e Juba (Karanga).
Técnico: Nedo Xavier

Chapecoense
Nivaldo, Fabiano, Rafael Lima, André Paulino (Dão – 35min/2ºT) e Alan; Wanderson, Augusto (Glaydson – 27min/2ºT), Diego Felipe e Athos (Soares – 39min/2ºT); Bruno Rangel e Fabinho Alves.
Técnico: Gilmar Dal Pozzo

Gols: Bruno Rangel (32min/1ºT e 23min/2º T), Alan (1min/2ºT), Wanderson (8min/2ºT) e Karanga (28min/2ºT)

FONTE: ASSOCIAÇÃO CHAPECOENSE DE FUTEBOL