Adversário do Atlético Goianiense nesta terça-feira (12), quando a bola rola a partir das 21h30 no estádio Norberto Tomaghello, na região metropolitana de Buenos Aires, o Defensa y Justicia é um clube de sucessos recentes. No seu currículo, dois títulos internacionais, da Recopa Sul-Americana, em 2021, e da Copa Sul-Americana, em 2020.
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Origem do clube
Fundado em 1935, a primeira experiência do Club Social y Deportivo Defensa y Justicia em um torneio oficial aconteceu apenas quatro décadas depois, em 1978, quando estreou na Primera D, o quinto escalão do futebol argentino. Com uma rápida ascensão, chegou na Primera B, a segunda divisão, em 1986, na sua estreia a nível nacional.
O verde e amarelo protagonizados na identidade do clube e de seus torcedores foi escolhido somente em 1981. Antes azul e branco, a mudança se deu por motivos comerciais, depois que o presidente da agremiação na época, dono de uma empresa de ônibus local chamada El Halcón, combinou as cores do time com o patrocínio.
Além das cores, a empresa também emprestou o seu próprio nome para apelidar o clube. Nos jogos fora de casa, a frota de ônibus serviu para levar os torcedores para os estádios, e assim o Defensa y Justicia se tornou o El Halcón de Varela, em menção à cidade de Florencio Varela, onde a equipe está instalada.
Localizada na zona sul da Grande Buenos Aires, Florencio Varela está a 23 quilômetros da capital argentina e tem uma população na região metropolitana de cerca de 500 mil habitantes. No bairro Gobernador Costa, o estádio Norberto Tomaghello é a casa da equipe, com capacidade para pouco mais de 10 mil espectadores.
Um dos clubes que mais disputou a segunda divisão argentina, com 24 participações, o Defensa y Justicia é também um raro caso de agremiação que disputou as categorias mais inferiores do futebol argentino e que conseguiu chegar na elite nacional. O inédito acesso para a primeira divisão aconteceu somente em 2013.
Mudança de patamar
Desde a sua estreia na elite, em 2014, tem experimentado um grande crescimento e hoje é uma das principais equipes do futebol local. A estreia internacional aconteceu em 2017, quando, inclusive, eliminou o São Paulo em pleno Morumbi, em confronto pela primeira fase da Copa Sul-Americana na sua primeira viagem para fora da Argentina.
Depois de empate sem gols na Argentina, um empate por 1 a 1 em São Paulo garantiu a histórica classificação dos argentinos pelo critério do gol fora de casa. Desde então, o Defensa y Justicia se tornou uma presença regular em torneios sul-americanos, e o Atlético será o nono adversário brasileiro na história do clube.
Referência na revelação de treinadores, teve rostos conhecidos do futebol brasileiro nos últimos anos, como Ariel Holan, Juan Pablo Vojvoda e Hernán Crespo. Com o último, levantou o seu primeiro título internacional, a Copa Sul-Americana de 2020, quando goleou o compatriota Lanús por 3 a 0 em Córdoba, no estádio Mario Alberto Kempes.

O comandante
No entanto, é outro treinador que tem um vínculo especial com o clube: Sebastián Beccacece. Por 15 anos braço-direito de Jorge Sampaoli, de quem recebeu a primeira oportunidade em um time profissional em 2002, quando tinha apenas 22 anos, no Sport Boys, o treinador de 41 anos está na terceira passagem pelo Defensa y Justicia.
Depois de trabalhos de destaques acompanhando Sampaoli, Beccacece iniciou a sua trajetória como técnico principal em 2016, na Universidad de Chile. No mesmo ano, recebeu a primeira chamada do Defensa y Justicia, quando teve um incrível aproveitamento de 73% e conduziu o time ao sucesso diante do São Paulo no Morumbi.
A saída do clube se deu justamente por um novo convite de Sampaoli, novo treinador da seleção argentina para o ciclo do Mundial da Rússia, iniciado no segundo semestre de 2017. Além de auxiliar, também comandou a seleção sub-20. Depois da Copa do Mundo de 2018, retornou ao Defensa y Justicia com outros resultados impressionantes.
Com apenas duas derrotas na Superliga Argentina de 2018-19, ficou a quatro pontos do líder Racing e foi vice-campeão nacional pela primeira vez, conquistando a inédita vaga para a Copa Libertadores. Seduzido pelos grandes de Avellaneda, treinou sem sucesso o Independiente em 2019 e o rival Racing no ano seguinte.
Com a saída de Crespo para o São Paulo, voltou a ser chamado pelo Defensa y Justicia em fevereiro de 2021 com a responsabilidade de assumir um time recém-campeão sul-americano. Dois meses depois, mais um título internacional para o clube: a Recopa Sul-Americana de 2021, em cima do Palmeiras.
Depois de derrota por 2 a 1 em casa, vitória em Brasília pelo mesmo placar e título conquistado na decisão por pênaltis. Na temporada passada, na Liga Profesional, teve uma arrancada de 12 jogos de invencibilidade e 10 vitórias, inclusive sobre o campeão River Plate, para se tornar vice-campeão argentino novamente.

Momento atual
A presença na Sul-Americana desta temporada se dá pelo desempenho irregular no primeiro semestre de 2021, quando dividiu as atenções na Copa da Liga Argentina com as disputas continentais. Na tabela agregada, o sétimo lugar não foi suficiente para assegurar mais uma vaga na Libertadores.
Nesta temporada, o time argentino tem sete vitórias em 11 jogos. Terceiro colocado em sua chave na Copa da Liga, vem de goleada fora de casa por 5 a 1 sobre o Talleres, no último sábado (9). Na estreia da Sul-Americana, novo triunfo longe de Buenos Aires, quando bateu o Antofagasta no norte do Chile por 3 a 1.
Para esta noite, Beccacece conta com o retorno do meia-atacante Francisco Pizzini. Ausência nas últimas duas partidas por problemas musculares, o jogador não tem presença garantida no time, mas foi convocado. Quem já voltou na última partida e está confirmado é o lateral-esquerdo Alexis Soto, assim como o zagueiro Nazareno Colombo, após cumprir suspensão na Copa da Liga.
Entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3, o Defensa y Justicia de Beccacece tem uma estrutura parecida com a do Atlético. Trata-se de um time que pratica o jogo de posição e que tem uma saída bem construída. Apesar de momentos de controle da posse de bola, tem na transição ofensiva e ataque à profundidade como seus pontos fortes.
Enquanto o centroavante uruguaio Miguel Merentiel vive grande momento, com sete gols e três assistências na temporada, o destaque da equipe é o camisa 10 Walter Bou, ex-Vitória e Boca Juniors, que serve de principal referência nas transições do time e sempre procura as ultrapassagens dos pontas, especialmente Carlos Rotondi, pela esquerda.
Provável escalação: Ezequiel Unsain; Nicolás Tripichio, Adonis Frías, Nazareno Colombo e Alexis Soto; Raúl Loaiza, Kevin Gutiérrez e Walter Bou; Francisco Pizzini (Hugo Fernández), Miguel Merentiel e Carlos Rotondi. Treinador: Sebastián Beccacece








