Alunos do Colégio Estadual Ronaldo Ramos Caiado Filho, em Goiânia, transformaram a quadra da escola em um espaço de invenção. Durante as aulas de Educação Física, eles criaram o Mirabol, um jogo pensado, testado e batizado pelos próprios estudantes. A iniciativa reforça o protagonismo juvenil e mostra como a disciplina pode ir além das modalidades tradicionais para dialogar com os interesses dos jovens.
Mais do que aprender regras prontas, os alunos passaram a construí-las. O resultado é um esporte com identidade própria, que já integra a rotina da unidade e mobiliza turmas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
Uma escola na periferia que aposta em projetos autorais
Localizado no Residencial Jardins do Cerrado 9, o Colégio Estadual Ronaldo Ramos Caiado Filho atende estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª à 3ª séries do Ensino Médio. A unidade foi estruturada para receber centenas de alunos da região, com biblioteca, laboratórios e quadra esportiva.
Desde a abertura, a escola desenvolve projetos que aproximam o cotidiano dos estudantes dos conteúdos trabalhados em sala, com metodologias ativas e propostas interdisciplinares. O Mirabol surge nesse contexto: uma experiência que nasceu menos de grandes eventos e mais da escuta e da iniciativa dentro da própria aula.
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O desafio: criar um novo esporte
A ideia começou com um convite feito nas aulas de Educação Física. Em vez de repetir apenas modalidades já conhecidas, como futsal ou vôlei, os alunos foram desafiados a criar um novo jogo.
Divididos em grupos, eles passaram a discutir e testar possibilidades: número de jogadores, formato da quadra, formas de pontuação, tipos de lance permitidos e critérios para faltas. As primeiras partidas serviram como laboratório. A cada rodada, as regras eram ajustadas.
Depois de sucessivos testes, o jogo ganhou forma — e também nome. “Mirabol” foi escolhido pelos próprios estudantes, como referência à criatividade e ao caráter “mirabolante” da proposta. A partir daí, o esporte passou a fazer parte das aulas, com turmas jogando, revisando regras e ensinando colegas que ainda não conheciam a modalidade.
Protagonismo que vai além da prática
Ao assumir a criação do esporte, os estudantes deixaram de ser apenas praticantes e se tornaram autores. Decidir o que vale ponto, o que é falta e como organizar as equipes exigiu argumentação, escuta e negociação.
Essas discussões, feitas em quadra, mobilizaram habilidades importantes para a convivência escolar e social. O processo de construção coletiva fortaleceu o sentimento de pertencimento. No vídeo produzido na unidade, alunos explicam o funcionamento do Mirabol, demonstram jogadas e comemoram lances com entusiasmo, evidenciando a identificação com o jogo que ajudaram a criar.
Para muitos, participar da construção da modalidade aproximou a Educação Física de estudantes que nem sempre se sentem confortáveis em esportes mais competitivos ou já consolidados.
Educação Física como espaço de experimentação
A experiência dialoga com abordagens contemporâneas da Educação Física escolar, que defendem a criação e adaptação de jogos como estratégia pedagógica. Esportes alternativos e propostas autorais podem ampliar a participação, favorecer a inclusão e estimular uma reflexão crítica sobre o papel do esporte na vida dos jovens.
No contexto do colégio Ronaldo Ramos Caiado Filho, o Mirabol demonstra que a quadra pode ser espaço tanto de práticas tradicionais quanto de experimentações que envolvem pesquisa, criatividade e colaboração.
Além disso, ao abrir espaço para ideias que nascem dos próprios alunos, a escola fortalece a conexão entre o ambiente escolar e a realidade do bairro.
Um exemplo que ultrapassa os muros da escola
Com a circulação do projeto nas redes sociais da comunidade e da própria unidade, o Mirabol começou a ser conhecido fora da escola. A iniciativa se apresenta como exemplo de proposta simples, mas com impacto direto no engajamento estudantil.
A experiência também abre caminho para que outras escolas da rede experimentem formatos semelhantes, criando ou adaptando jogos em parceria com os estudantes nas aulas de Educação Física.
Em uma região marcada por desafios urbanos e educacionais, ver adolescentes da rede pública conceberem, nomearem e praticarem o próprio esporte é um registro de autoria juvenil dentro da escola. Na quadra do Colégio Estadual Ronaldo Ramos Caiado Filho, o Mirabol mostra que, quando há espaço para participação, a aula se transforma em território de invenção compartilhada.













