Em janeiro de 2010, o empresário Cyro Miranda assume uma cadeira no Senado com a renúncia de Marconi Perillo para tomar posse como governador do Estado. Paulistano de nascimento, graduado em Administração de Empresas e um dos fundadores do Fórum Empresarial de Goiás, que reúne centenas de outras entidades do setor produtivo, Miranda tem 64 anos. É casado, tem dois filhos e três netos.

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Em entrevista exclusiva à RÁDIO 730, o futuro senador defende seu ponto de vista em relação a temas quentes do cenário político goiano. Faz críticas ao governador Alcides Rodrigues (PP) e ao ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), por exemplo.

Miranda aborda ainda a expectativa em relação à posse no Senado e revela a crença na candidatura do correligionário Marconi Perillo à Presidência da República em 2014.

Confira os principais trechos da conversa:

Alcides Rodrigues
“Não sei se Alcides [Rodrigues, governador do Estado] mudou ou se ele tinha essa personalidade e não conhecíamos. Posso afiançar o seguinte: em quase todas as reuniões do Fórum [Empresarial] o Marconi o levava; em quase todos os eventos, ele estava presente. Ele via a maneira como o Marconi conduzia as coisas. Sabe quantas vezes ele reuniu o Fórum? Uma vez.”

Iris Rezende
“É balela isso que ele fala que veio porque tinha compromisso com o povo. Primeiro, Iris foi enganado com a vinda do Henrique Meirelles [presidente do Banco Central e um dos nomes cotados para a disputa do governo de Goiás], que esperou até o fim. Se ele fosse sair da Prefeitura, que era o intuito dele, ele poderia no máximo tentar uma vaga no Senado. Ele vislumbrava com muita chance isso. Ou talvez nem sair da Prefeitura. Terminar o que ele começou bem. Iris ficou naquela indecisão por 10 dias e chegou a dizer que não seria candidato. Marconi ia ganhar por WO. Correram e lançaram o Vanderlan pra ocupar esse espaço — e depois essa coisa ficou irreversível, foram tomando gosto, tinham o governo do lado… Aí chamaram Iris e disseram: ‘Se você não sair, você vai ser o coveiro do PMDB’.”

Relação entre Alcides e Marconi
“Na minha visão, eu que não sou político, começou a ter muito interlocutor. E esses interlocutores, tanto de um lado quanto de outro, começaram a jogar coisas que às vezes não havia. Depois, aquele que entra começa a achar… E não digo que foi Alcides que começou a achar, mas a turma dele, que falou assim: ‘Olha, agora é a nossa vez, você não tem que dar bola pra ninguém, você não precisa conversar com ninguém, tira esse pessoal daí’. E o relacionamento começou a azedar. Eles não conseguiram continuar construindo o relacionamento que tinham antes. Pra o Marconi foi uma decepção. Uma vez eu vi o Marconi falar pro Alcides: ‘Governador, só fica valendo aquilo que eu falar pro senhor e o que o senhor falar pra mim’.”

Política
“Quem quiser fazer política à moda antiga, daqui pra frente, vai cair do cavalo.”

Reforma Política
“A Reforma Política tinha que mudar a forma de pesquisa, que foi muito ruim, a postura dos candidatos… Tem que ser proibido falar do outro candidato. Se você tiver que denunciar alguma coisa, você vai fazer isso através do Judiciário, com coisas palpáveis.”

Marconi e o Fórum Empresarial
“O Fórum foi constituído no governo Maguito [Vilela], mas ele não deu a devida atenção ou achou que era desnecessário o auxílio do Fórum. Achava que era muito mais um fórum reivindicativo do que um fórum de sugestões e de procurar trabalhar. Como Marconi foi eleito com muito pouca idade, 37 anos, ele não conhecia tudo. Ele tinha dificuldades na área produtiva, de industrialização… Como fazer? Caiu no colo dele um Fórum com seis membros, que se dispuseram a trabalhar de graça, viajar às suas expensas e colaborar com o governo. Ele foi inteligentíssimo: trouxe esse pessoal pra junto e começou uma relação muita aberta que nunca tinha acontecido no nosso Estado. Se tinha um caso pra resolver, fazíamos uma reivindicação e Marconi falava: ‘Vocês querem isso? Mas isso vai impactar no meu governo nessa outra área. Agora vocês resolvam’.”

Expectativa para a posse no Senado
“É um misto de apreensão e dor de barriga. Já viu quando você está ansioso, quando prepara um grande evento ou uma viagem e não sabe se vai dar certo? Aí dá aquela dor de barriga, apreensão. Por quê? Porque Marconi é uma pessoa totalmente diferenciada. Marconi fez em quatro anos o que muito senador não fez em 16. No segundo ano, Marconi já era o primeiro vice-presidente da Casa, o único goiano a ocupar esse espaço. Ele é articulado, é um líder nacional. Isso não me incomoda. Me deixa apreensivo porque não posso decepcioná-lo.”

Conselhos
“Uma das coisas que vou procurar fazer como inovação, e muito mais em benefício meu que dos outros, é formar conselhos. Vou ter um conselho empresarial, de onde vou pinçar, do cenário nacional e de Goiás, quatro ou cinco pessoas. Vamos nos reunir mensalmente. Provavelmente na Saúde e na Educação também vou ter um conselho. Essas pessoas vão balizar, criticar, sugerir, pra que a gente possa, nesses quatro anos, ajudar muito o Brasil, Goiás e esse nosso governador.”

Marconi presidente
“Acredito que, na próxima [eleição], ele vai fazer uma surpresa. Marconi não vai sair candidato a governo do Estado de novo. Acho que a meta dele é a Presidência da República.”

Lições da campanha
“Precisamos aprender, mesmo na política, a ter concorrentes e não inimigos. Não é salutar isso. O Marconi tem uma capacidade tão grande de esquecer as coisas! Como ele falou: “Vamos desarmar os palanques”. Agora ele é governador dos goianos. Ele não recebeu telefonema do Antonio Gomide, mas falou com Gomide três vezes. Não recebeu telefonema do Maguito, mas ligou pro Maguito. Não recebeu telefonem do Paulo Garcia, mas ligou pro Paulo Garcia. Conversou com todos eles. E também, pelo que sei, ligou pro Iris, que não foi localizado, e deixou um recado. Estava dizendo: ‘Acabou, amigos. Vamos esquecer. Não vamos levar isso pra frente, porque isso não constroi Goiás’.”

Governo Marconi
“Nas áreas prioritárias, vamos ter os fichas-limpas e os capacitados. Vai ter perfil. Você não pode ter um secretário de Comércio Exterior, por exemplo, que não fala inglês. Se eu for me candidatar a ser jornalista, vão me dar um perfil do cargo. Por que no Estado não tem que ser a mesma coisa? Marconi vai dar um profissionalismo, e isso vai ser um choque de gestão. Só de estar o Vicente Falconi [orientador técnico do Instituto de Desenvolvimento Gerencial – INDG] conosco, vai dar uma roupagem muito diferente no Estado.”

Ouça: Cyro Miranda fala sobre o início da relação entre o Fórum Empresarial e o governador eleito Marconi Perillo (PSDB)
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