Sem muitos spoilers, a escritora Angela Cristina Lessa contou detalhes sobre o seu livro “Os quadros de Elisa” no Tom Maior da terça-feira (18). A obra se propõe a ser mais que uma arte e é descrita pela autora como um grito de socorro. O livro transmite uma mensagem importantíssima para as mulheres e traz muitas reflexões.
“Eu sempre quis escrever e transmitir uma mensagem para as pessoas, o gênero era secundário para mim e durante a minha jornada eu descobri que o suspense era o meu caminho, era o que eu gostava e me identificava. Então, “Os quadros de Elisa” é um suspense. Ele narra a história de duas irmãs que tiveram a vida impactada com um crime, em determinado momento a Elisa, que é irmã da Alice, ela desaparece e então fica essa saga: o que aconteceu com a Elisa?”, contou.
O suspense percorre a história das irmãs enquanto apresenta as possibilidades para a resposta do sumiço de Elisa, com um enredo que leva o leitor para cidades do interior de São Paulo e Minas Gerais a cada vestígio que indica uma possível solução. Contudo, ainda sem spoilers, Angela Cristina adiantou que ao desvendar o crime o leitor se depara com uma segunda etapa.
“A segunda etapa é trazer uma reflexão. Na verdade o que eu quero é provocar uma linha de raciocínio onde eu comparo um grande crime, um crime que choca as pessoas e quando divulgam esse crime todo mundo pára para ouvir, quando um crime parecido com esse aconteceu o mundo parou para ouvir e se chocou, com outro crime que está aqui ao nosso lado no dia a dia e que muitas vezes é negligenciado, eu estou falando da violência psicologia”, detalhou.
A importância da mensagem

Angela Cristina sonhava em ser escritora desde os 16 anos e sempre vislumbrou levar mensagens às pessoas. Ela tentou escrever sobre autoajuda, mas deixou a área por acreditar que não tinha bagagem suficiente para o assunto. Hoje, aos 43 anos, ela se descobriu no suspense e sua inspiração vem dos crimes que impactaram sua vida.
“Os crimes que me impactaram muito estão retratados na Elisa. Depois disso, a minha própria jornada de vida, a minha própria história. E depois eu abri um projeto chamado vencendo a violência e nesse projeto eu conheci muitas histórias de superação de mulheres que viveram a violência doméstica e superaram. Então, eu mesclei tudo isso no livro, tudo me impactou na adolescência, na juventude, na minha história de vida e a história de muitas mulheres que me inspiram hoje”, compartilhou.
Mesmo com a mensagem sobre a violência contra a mulher, a escritora disse que a proposta do livro não é mostrar o assunto de cara, porque ele é um suspense e é um entretenimento. Mas o desenrolar da história das irmãs Elisa e Alice traz essa reflexão que é de extrema importância para as mulheres.
“Eu planejei o livro dessa maneira porque ele te dá segurança. Você imagina uma mulher que sofre violência doméstica entrar na sua casa com um livro escrito violência doméstica? não dá. Então esse livro traz conhecimento aqui dentro, mas ao mesmo tempo ele protege a mulher”, disse. Para a autora, a forma de levar a mensagem é uma estratégia de enfrentar a violência usando a literatura e atingir pessoas que não estão buscando a informação.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 04 – Educação de Qualidade.
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