Fica a Dica

Fica a dica!!!!! Como o próprio nome já diz, é nosso espaço para sugestões. Vamos garimpar dicas de filmes, livros, discos, locais ou qualquer outra coisa que achamos que você, nosso ouvinte deva conhecer!   O fica a dica de hoje é sobre a mostra “O feminino no cinema” que entra em cartaz no Cine Cultura.

 

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O feminino no cinema

 

Três filmes que trazem luz e sensibilidade à questão da mulher. Essa é a proposta da parceria entre a Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (SEMIRA) e o Cine Cultura, que apresenta a partir de hoje a segunda edição da mostra O Feminino no Cinema, que busca discutir através da sétima arte, o papel e o lugar da mulher na sociedade contemporânea.

Dessa vez, sob o recorte da perspectiva da mulher na sociedade brasileira, o evento busca revelar as nuances do feminino numa sociedade eminentemente patriarcal e machista, nos colocando diante de questões e problemas da cultura brasileira. As sessões vão até quinta, sempre às 20 horas.

As três primeiras noites da mostra terão debates seguidos das sessões e na última noite o filme exibido será resultado de votação internet. Os debates envolvem, sobretudo, o encontro do cinema numa perspectiva e dimensão mais próxima e palpável de uma realidade que permeia o cotidiano da mulher no Brasil.

São três filmes que falam, sobretudo, da condição da mulher no Brasil. Para ilustrar essa relação, a curadoria escolheu três filmes que dialogam com a temática e que são emblemáticos para a produção audiovisual nacional. O primeiro a ser exibido é o avassalador Baixio das Bestas, do consagrado diretor Cláudio Assis.

Trata-se de um filme que conta a história de Auxiliadora, uma jovem de 16 anos explorada e mantida dentro de casa pelo avô Heitor. Durante algumas noites, o avô leva a garota ao posto de gasolina para expô-la nua a troco de alguns reais. Na cidade, Everardo e Cícero promovem orgias violentas na casa de Dona Margarida, onde moram algumas prostitutas. As vidas de todos se entrelaçam em um drama sobre a condição da mulher naquela região.

O longa se passa em uma localidade no interior de Pernambuco que vive o momento derradeiro da economia canavieira, onde transitam prostitutas, pedófilos e rapazes de classe média misóginos. As perversões sexuais são mostradas sem pudor algum, com cenas de estupros e particularidades dos personagens à vontade. Causa repúdio em particular a exploração a que é submetida a garota Auxiliadora por seu pai.

Baixio das Bestas é uma jornada pela miséria humana. Há momentos em que o filme parece querer ser um tapa na cara da classe média brasileira. Há outros em que as sensações de violência gratuita sofrida pelos personagens do filme incomodam e enojam.  Tecnicamente, Baixio das Bestas é um triunfo do cinema nordestino. Em questão de linguagem, é um filme contundente, tenso, violento e, como não podia deixar de ser, polêmico.