A cidade tem fama e o fato é que não se trata apenas do bairro do Cemitério Jardim das Palmeiras. Uma das famas de Goiânia é de cidade caipira, não o caipira trabalhador rural, mas o caipira estereotipado, o jeca-tatu de Hilux. Vários fatores reforçam a imagem ruim, a começar do excesso de duplas sertanejas e outros cantores bregas. Goiânia é tão ligada a esses artistas que alguns se mudam de outros Estados, inclusive de São Paulo, porque se disserem que são daqui obtêm espaço, inclusive em… São Paulo.

Ao contrário do que dizem os jecas e seus arautos, Goiânia é uma Capital moderna, inclusive na música. Sedia os maiores festivais de rock do País. Faz encontro de orquestras sinfônicas. Tem dezenas de eventos de música clássica. Promoveu o melhor show de Paul McCartney nas Américas. Nasceu aqui ao lado um dos maiores intelectuais do País, o escritor Gilberto Mendonça Teles. Nossos pianistas, principalmente os jovens, vencem concursos no mundo inteiro. Portanto, as semicelebridades de música ruim ecoam algo que Goiânia não exprime. Pode já ter sido, como teria dito Roberto Carlos, uma fazenda asfaltada. Hoje, continua asfaltada, repavimentada, mas é uma fazenda só na cabeça do empresário Júnior Friboi.

Na edição desta semana da revista Época, o repórter Murilo Ramos descreve a cena de Júnior Friboi tocando berrante na Assembleia Legislativa. O repórter conclui que “Júnior é o orgulho de Goiás”. Júnior não é orgulho nem do grupo Friboi, quanto mais de Goiás. Alguém que está em qualquer outro lugar do País pode achar que os goianos somos um bando de berranteiros ou que o som de chifres nos acaricia os ouvidos. Nada disso. Júnior Friboi agradou apenas, como escreve o jornalista de Época, a “uma boiada de centenas de cabos eleitorais que estava em júbilo”, berrando pelo patrão lendo discurso na Assembleia.

A jequice de Júnior Friboi nada tem a ver com Goiânia ou com Goiás. O Estado que ele quer governar está décadas à frente. Sua terra natal tem mais a ver com tecnologia que com berrante. Goiás superou a buzina de chifre, que é como Murilo Ramos chama o berrante. A única relação de Goiás com Júnior é o monopólio da carne, que quebrou os pequenos frigoríficos e deu prejuízo aos produtores rurais. Fora isso, Júnior está completamente fora da evolução de seus conterrâneos. Júnior é tão pobre que só tem dinheiro, como na frase de autoajuda. É o goiano mais rico, mas é também o mais endividado. Se os bilhões que o BNDES passou para o grupo de Júnior Friboi fossem distribuídos para a Cultura em Goiás, teríamos cada vez mais pianos e cada vez menos berrantes. Nada contra os berranteiros, tudo contra os oportunistas.