O Vila Nova protocolou na última terça-feira (13) junto ao Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de Goiás (TJD/GO) uma notícia de infração contra Miguel Figueira, meia do Goiás, após o atleta apontar o dedo médio para dirigentes colorados após o clássico do último domingo (11) realizado no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga.

Agora o clube esmeraldino aguarda uma resposta se a Procuradoria fará ou não uma denúncia contra o jogador. Porém, quando essa notificação chegar, o departamento jurídico já estará com a defesa pronta alegando que o Tigre busca ‘se vingar’ da ação movida pelo alviverde pedindo indenização de danos morais pela cusparada de Alan Mineiro na bandeira do Goiás no clássico do primeiro turno.

A tentativa, no entanto, não é vista como procedente pelo advogado Frederico Augusto Valtuille, vice-presidente jurídico do Goiás, porque as atitudes dos dois jogadores não podem ser comparadas.

“No nosso ponto de vista a denúncia não procede em todos os seus termos, uma vez que o Vila Nova em uma clara tentativa de vingança contra o Goiás, usa dos nossos fundamentos da atitude reprovável do Alan Mineiro para comparar o que o (Miguel) Figueira fez com o que Alan fez. Mas a gente sabe que o jogador vilanovense comenteu aquele ato diante de milhares de telespectadores já que o jogo estava sendo transmitido ao vivo, enquanto o Miguel Figueira apontou o dedo médio para os dirigentes do Vila Nova no intervalo da partida e o vídeo foi gravado por um celular particular de um torcedor do Vila Nova”, explicou à Sagres.

No documento apresentado pelo departamento jurídico do Vila Nova, o clube pede que o meio-campista do Goiás seja julgado com base nos artigos 243-D do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que pede suspensão de 360 a 720 dias e multa de R$ 100,00 a R$ 100 mil por “incitar publicamente o ódio e a violência” e o 258-A por “provocar o público durante partida, prova ou equivalente” com suspensão de duas a seis partidas.

Por outro lado a defesa vai alegar que o gesto obsceno de Miguel Figueira foi uma resposta à provocações vindas da diretoria adversária, recorrendo ao artigo 180 para atenuar uma possível penalidade. “São circunstâncias que atenuam a penalidade ter sido a infração cometida em desafronta a grave ofensa moral”.

“A gente vê claramente que ele (Figueira) não estava incitando a violência já que se foi gravado por um celular particular, o torcedor do Vila Nova que está espalhando o vídeo é quem estaria incitando essa violência e não jogador. Também temos que ver que o Vila congela a foto do atleta apontando o dedo médio, porém omite o vídeo completo do Procurador, uma vez que nessa gravação dá para ver claramente que antes do Figueira ter aquela ação reprovável, a gente sabe que ela foi uma resposta a gritos homofóbicos que foram praticados pela quase unanimidade dos dirigentes do Vila Nova que estavam na tribuna de honra do clube”, afirmou Frederico Valtuille.

“Não é uma conduta apropriada para um atleta o que o Figueira fez, porém muito menos correto são os dirigentes do Vila Nova, em todos os jogos contra o Goiás, partirem para uma confusão com o clube e ficarem na saída do jogador numa proximidade tão grande xingando o atleta de forma tão acintosa e contínua até ele perder a cabeça”, completou o vice-presidente jurídico do Goiás.

Até por isso, a diretoria esmeraldina também decidiu fazer uma denúncia contra o Vila Nova baseada no artigo 243-G do CBJD que diz “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência” prevê “caso a infração prevista neste artigo seja praticada simultaneamente por considerável número de pessoas vinculadas a uma mesma entidade de prática desportiva, esta também será punida com a perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente”.

“Nessa caso a gente vê que o número de pessoas que praticou esse ato contra o jogador é considerável porque estamos no meio de uma pandemia, não existem torcedores no estádio, e as pessoas que estavam no local do jogo eram somente as que estavam na tribuna e pelo vídeo você que são várias pessoas. Todo mundo que estava ali gritaram contra o jogador, ofendendo a moral do atleta e nesse sentido vamos pedir também para que seja analisada a viabilidade ou não a perca de pontos do Vila Nova”, revelou o advogado Frederico Valtuille.