O Governo de Goiás, através da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), começou no sábado (6) a imunização em Cavalcante, que abriga 80% da população Kalunga, considerado o maior quilombo remanescente do Brasil. Em seguida a aplicação segue por Monte Alegre e Teresina de Goiás. Serão imunizados todos os 5.252 nativos dos três municípios. A previsão é de que a ação ocorra até dia 15 de março, na aplicação da primeira dose.
O envio das vacinas foi anunciado pelo governador Ronaldo Caiado no dia 4 de março. Em publicação nas redes sociais, ele definiu a operação como um momento de grande emoção. “Esse povo carrega séculos e séculos de história na pele. São pessoas que preservam sua cultura como quem cuida do bem mais precioso. Eu fiz o compromisso de cuidar de cada um dos 7,2 milhões de goianos, sobretudo dos mais vulneráveis”, afirmou.
As comunidades representam uma parcela significativa da população local e, com a imunização, haverá a redução dos riscos, além de ampliar ações de prevenção. A destinação das doses aos Kalunga foi possível porque o Estado entrou na cota do Fundo Estratégico de Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde, e recebeu doses extras devido ao cenário de emergência.
Somente pessoas acima de 18 anos são vacinadas. Conforme a coordenadora da Gerência de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis da SES, Luciene Siqueira Tavares, “a imunização é exclusiva para os residentes dentro das comunidades, já cadastrados por agentes de saúde e pelas associações dos quilombos”, explicou.
Leia Mais: Goiânia inicia vacinação em idosos de 76 anos nesta segunda-feira (8); confira locais
As doses estão distribuídas conforme demanda de cada comunidade: 2.610 para Cavalcante, 1.900 para Monte Alegre e 742 para Teresina de Goiás. A operação é coordenada pela Superintendência de Vigilância em Saúde (Suvisa), que conta com quatro enfermeiros, um fiscal da Vigilância Sanitária e dois motoristas.
Paralela à imunização, a Secretaria Estadual de Saúde também faz uma investigação e testagem rápida nas comunidades quilombolas. Foram destinados mil testes do tipo IGG e IGM, padrão ouro, que estão sendo aplicados na região. Quem estiver contaminado com a covid-19 terá que esperar pelo menos 30 dias após o fim dos sintomas para vacinar.
Logística
Um dos maiores desafios da imunização na região é a mobilidade. Isso porque algumas comunidades vivem isoladas e em locais de difícil acesso. Em meio ao período chuvoso, o nível dos rios também vira empecilho, já que em alguns casos os veículos não conseguem atravessar. Por esses motivos, os profissionais da saúde, que integram a missão, já saíram de Goiânia com itens essenciais na bagagem, como alimentos de fácil armazenamento, para consumo durante os trajetos e até barracas. Em alguns trechos da rota é necessário montar acampamento para pernoitar.
As doses destinadas às comunidades Kalunga são da CoronaVac, fabricada pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. O imunizante precisa ser armazenado entre 2º e 8º C para ter eficácia garantida. Aqui, entra mais uma estratégia da força-tarefa: o roteiro da viagem. “Foi levada a quantidade de doses suficientes para cada destino. As vacinas ficam em uma caixa térmica, com termômetro. A equipe também leva uma caixa lacrada de gelox (gelo reutilizável)”, detalha Flúvia.







