“Eu não gosto de ser chamado de burro, nunca gostei porque eu acho que é agressivo. Uma pessoa, qualquer que seja, não fica no mercado de trabalho tão competitivo, tão complicado porque lida com emoção, por 20 anos, 25 anos. Essa pessoa não pode ser chamada de burro, eu não gosto, me deixa ofendido, mas já conversei com alguns companheiros meus e eles acham isso normal. Espero que até o fim da minha carreira administrar isso e saber que vai acontecer mais vezes”
Participação marcante nos clubes
Hélio é daqueles treinadores que gostam de ser participativo em todos os setores, desde o campo de jogo até o fator estrutural do clube de trabalha. Mais do que isso, Hélio demonstra uma preocupação maior com o lado humano de todos os seus jogadores, inclusive na hora de desenvolver a carreira de cada um. Por isso, o treinador é mais um a fazer coro contra a maioria dos empresários e procuradores espalhados no mundo da bola, que fingem estar cuidando dos interesses do cliente, mas querem mesmo é ganhar em cima do atleta.
“Hoje você não decide a vida de um jogador sozinho, antigamente eu decidia. Hoje eu vou mudar a posição de um jogador, pedir ele pra jogar em uma posição diferente, e ele fala pra mim que tá tudo bem, tá tudo ok. Aí, ele vai para casa e liga pro empresário dele, que fala que não. Não entende nada de futebol, tá lá no escritório, no ar condicionado, não vem para o campo trabalhar como o jogador e ganha seus 10%. Tem ótimos empresários, mas a maioria deles são aproveitadores”
Ainda sobre esse lado humano, Hélio conta sobre o carinho que muitos jogadores tem por ele, e cita exemplos conhecidos do futebol goiano, como o goleiro Harlei e o atacante Iarley, que quase deixou de se transferir para o Goiás para ser treinado por Hélio no Sport. O treinador, atualmente no Dragão, ainda contou uma de suas boas histórias no futebol que aconteceu esse ano, com um jogador de outra equipe, que mostrou a proximidade de quem comanda com o comandado.
“Uma das coisas que mais me marcou esse ano foi no Sport Recife. Eu recebi a visita de um clube e um jogador desse clube estava muito angustiado, ele estava encostado nos carros, o Marcelo foi conversar com ele e ele me chamou urgentemente. Ele chorou no meu ombro por um problema que ele está passando. Um jogador de 20, 21 anos, chorou no meu ombro pela dificuldade que tá tendo no clube dele, pelas questões dele não ser vendido. Você se sente como pai”, resumiu Hélio, descartando, de forma branda, que o atleta fosse Rafael Tolói.
Passagem colorada
Como não poderia deixar de ser, Hélio dos Anjos foi questionado sobre as duas passagens que teve nesta temporada pelo Vila Nova, mas preferiu não se alongar no assunto, prometendo que em um futuro não muito distante, iria revelar tudo que aconteceu no clube. Mesmo assim, Hélio voltou a se explicar sobre a sua primeira saída, quando recebeu uma proposta do Sport, voltou a dizer que foi ético na troca e deixou bem claro que o Tigre ainda tem dívidas a acertar com ele.
“Eu nunca citei isso: tem 22 jogos, tanto pelo Goiás quanto por outros clubes, que eu enfrentei o Vila e nunca perdi. Pelo Goiás são 17 e pode ser que isso marcou muito. E outra coisa: eu estava no Vila, tive uma proposta do Sport, fui lá, paguei e fui embora. Eu agi certo com o Vila, baseado no contrato, agora eu espero que o Vila aja certo comigo também, porque eu ainda estou com um problema. Já está indo para 30 dias e espero que as coisas sejam resolvidas da melhor maneira possível”
Nova vida no Dragão
Como dito anteriormente, Hélio vive uma nova fase no Atlético. Desde que assumiu o clube, o treinador encontrou as melhores condições para trabalhar e prova isso com o trabalho demonstrado dentro de campo, com cinco vitórias conquistadas e apenas uma derrota para o atual campeão brasileiro. Hélio se sente muito feliz clube e concorda que o clube tem uma linha de trabalho parecida com a que ele prega durante a carreira.
“Tô muito feliz. Eu gosto de trabalhar em clube com as características do Atlético, até comentei em algumas situações que me dou melhor em clubes fechados, na sua forma de administrar. O Atlético me chamou atenção desde a primeira reunião, com poucas pessoas e se discutiu o objetivo rapidamente, porque queriam me contratar e com que eu iria trabalhar dentro do clube. A minha surpresa maior foi chegar no clube e ver a qualidade da estrutura, ver a intenção de crescer e tentar o melhor. A filosofia do clube vai de encontro a minha filosofia”
Para encerrar, Hélio dos Anjos aproveitou para se dirigir a torcida rubro-negra, que tem sido bastante criticada por não comparecer em grande número ao jogos do Serra Dourada. O comandante do Dragão convocou a torcida para apoiar o time no restante do campeonato, mas deixou claro que, mesmo em pequeno número, o que vale mesmo é o empenho deles e a emoção que os jogadores conseguem captar das arquibancadas.
“É um prazer muito grande estar convivendo com a torcida do Atlético e espero que a eles confiem na gente, no grupo de trabalho. Esse clube está fazendo de tudo para crescer junto ao seu torcedor e fazer com que a torcida cresça. Nós precisamos de vocês no campo, nós não estamos achando ruim que tem três, quatro mil, porque esses estão indo com coração aberto, para nos apoiar e nós precisamos dessa voz. O número não tem significado tão grande quanto a emoção que eles estão passando para nós”










