O protesto contra a transferência de alguns adolescentes do alojamento 1 do Centro de Internação Provisória para menores do 7º Batalhão da Polícia Militar, no Jardim Europa, em Goiânia, resultou em um incêndio que deixou nove mortos e um ferido, na manhã desta sexta-feira (25). De acordo com o defensor público, Thiago Gregório, os detentos atearam fogo em colchões e devido a falta de estrutura da unidade e a superlotação as mortes por asfixia das vítimas foram inevitáveis. “A situação acabou saindo do controle pela própria estrutura da unidade, sem evasão de ar”, reforça.
(Foto: Giuliane Alves/Sagres On)
A unidade possui capacidade para alojar 52 detentos, mas estava com 80. Na ala um, onde aconteceu o incêndio tinham seis camas, porém ficavam 11 adolescentes. Destes oito internos fixos e três provisórios. Segundo informações do Hospital de Urgências Governador Otávio Laje de Siqueira (Hugol), o adolescente, de 15 anos, que sobreviveu ao incêndio permanece em estado gravíssimo, respirando com ajuda de aparelhos. O governo do estado, por meio de nota, lamentou o ocorrido e informou que irá tomar as medidas cabíveis para a apuração dos fatos e também para dar apoio aos familiares dos internos. Confira a nota na íntegra:
Nota Governo de Goiás
“O Governo de Goiás informa que não houve rebelião no centro de internação que abriga menores infratores no 7º Batalhão da Polícia Militar. Trata-se de ato isolado, feito pelos próprios internos. A motivação do movimento está sendo apurada, uma vez que não houve o menor indício de que poderia haver o incidente. Todas as forças policias estão envolvidas na apuração. Por vota de 11h30, foi colocado fogo em um colchão no corredor da unidade. Na parte interna da cela, os menores ergueram outro para impedir a entrada da fumaça, mas que acabou pegando fogo e causando as mortes. O Corpo de Bombeiros atuou de forma imediata no combate ao incêndio, o que evitou danos ainda maiores. O local conta com extintores e todos os equipamentos internos necessários. Nove internos morreram no incêndio. Um ficou ferido e foi levado ao Hospital de Urgências Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Outro menor também está hospitalizado, mas não há nenhuma relação com o incidente. Os demais 69 internos não ficaram feridos. Todas as famílias que procuraram a unidade foram recebidas. Uma equipe composta por assistentes sociais e psicólogos atenderam aos parentes das vítimas. Toda a assistência necessária está sendo dada às famílias dos adolescentes. Os corpos foram retirados após os procedimentos legais. A Superintendência de Política Técnico-Científica coletou materiais e elementos que vão subsidiar os laudos técnicos. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) e Delegacia de Apuração de Atos Infracionais (Depais), esteve no local para as providências iniciais. A conclusão dos trabalhos será apresentada oportunamente.
Vale ressaltar que não há superlotação na unidade. No alojamento onde estavam as dez vítimas, a capacidade é de 10 vagas. O Termo de Ajustamento e Conduta (TAC), firmado em 2012, está sendo cumprido. Houve atraso em algumas obras e há um esforço constante para dar mais celeridade aos processos e execuções. O Governo de Goiás reforça, ainda, que segue com o planejamento de construir novas unidades no Estado, como o Case de Anápolis, que já está em funcionamento. Goiás, cabe ressaltar, é único estado brasileiro a construir unidades socioeducativas, mesmo com o cenário de crise econômica nacional. No total, serão 10 novas unidades. Somente na capital, os investimentos são de R$ 4.351.753,14 em adequação, ampliação e reforma do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Goiânia e na construção de duas Casas de Semiliberdade, que terão a capacidade acrescida em 140 novas vagas. Todas as unidades do Socioeducativo dispõem de contrato com empresa de reparos e manutenção de estruturas físicas. As novas unidades permitiram a desativação de duas unidades que funcionavam em pavilhões de batalhões da Polícia Militar.Mais uma vez, o Governo de Goiás lamenta o ocorrido, externa sua total solidariedade e se coloca à disposição dos familiares dos adolescentes”







