Não é de hoje que o futebol brasileiro vem perdendo seus atrativos e despencando a média de público nos estádios. A crise dos estádios vazios atinge grande parte dos clubes brasileiros e se torna uma preocupação para dirigentes do “país do futebol”. Seja qual for os motivos (estruturas ruins dos estádios, falta de segurança, preço alto de ingressos, time pouco chamativos) ou os culpados disso, a conclusão é uma só: estamos chegando no fundo do poço.
Isso aqui poderia ser apenas mais um texto opinativo, trazendo uma reflexão de um jornalista recém-formado e que ainda precisa “comer muita poeira” pra conseguir ter uma opinião respeitada e levada em consideração. Mas, infelizmente não é. Isso aqui é uma afirmação. Mais ainda, é uma constatação. Com os números não há discussão, não há argumentação. Os números são verdades frias e literalmente calculistas, que expõe a situação seja qual for.
Então, vamos à ela. Na temporada 2014 do Campeonato Brasileiro da Série A a taxa média de ocupação dos estádios foi de 40%. Quer dizer que na maioria dos jogos, os estádios tinham preenchido menos da metade da sua capacidade total. Preocupante, muito. Mais ainda se compararmos a outras grandes competições (guardadas as devidas proporções).
Na temporada que acabou de terminar na Inglaterra, a Barclays Premier League a média de público geral foi de 36.179, enquanto no Brasil o número é de 16.555. Quase 20.000 torcedores a menos por partida. A dor é ainda maior quando se comparam as taxas de ocupação dos estádios. Enquanto o Brasileiro teve 40% de preenchimento dos estádio, o Inglês teve média 89%. Isso quer dizer que em todos os jogos, os estádios tinham pelo menos 89% de lotação da sua capacidade total. Uma diferença astronômica. A menor taxa de ocupação do Inglês é do Aston Villa, que lota 80% da capacidade de seu estádio por jogo. Ainda assim, a taxa é exatamente o dobro da taxa de ocupação do Campeonato Brasileiro.
Não estou aqui comparando qualidade de futebol dos times, poder econômico dos torcedores ou dos clubes envolvidos e as dificuldades que um inglês e um brasileiro tem para ir ao estádio. Para tudo há uma razão e uma explicação. Cada um que deixou de ir ao estádio tem as suas e devem ser compreendidos. Estou aqui lamentando a derrocada do futebol brasileiro, seja por qual motivo for.
Trazendo para o meu universo particular, tenho saudades enormes de ver o Serra Dourada com 40.000 pessoas gritando e fazendo as estruturas do estádio tremerem. Estádio cheio hoje em dia é coisa de ver apenas da TV e o futebol na TV não tem a mesma graça.
Confira os detalhes das médias de público do Brasileirão Série A e da Barclays Premier League 2014/15:

1 – Cruzeiro: 29.678
2 – Corinthians: 28.960
3 – São Paulo 28.544
4 – Flamengo: 26.411
5 – Internacional: 22.318
6 – Grêmio 21.028
7 – Palmeiras: 19.755
8 – Fluminense: 18.490
9 – Sport: 18.490
10 – Atlético-MG: 14.132
11 – Bahia – 12.579
12 – Coritiba:12.329
13 – Atlético-PR: 12.237
14 – Botafogo: 11.362
15 – Vitória: 10.267
16 – Chapecoense: 10.021
17 – Santos: 9.089
18 – Criciúma: 9.809
19 – Figueirense: 8.378
20 – Goiás: 6.942
OCUPAÇÃO MÉDIA: 40%
Maior Público: 58.627
(São Paulo X Cruzeiro)
Menor Público: 766
(Atlético-PR X Chapecoense)












