Até a manhã desta segunda-feira (24), 15 moradores de rua foram mortos em Goiânia, desde o mês de agosto. Segundo a polícia, o envolvimento com drogas é o principal motivo da ocorrência de tantas mortes
Quem mora na rua já sofre bastante: sol, calor, frio, chuva, falta de água e comida. Durezas encontradas no dia-a-dia de quem é obrigado a viver sem ter um teto. Se ser morador de rua já não era bom negócio, em Goiânia, ultimamente a situação tem se tornado mais crítica. Afinal, nos últimos meses têm sido constantes as mortes envolvendo pessoas que vivem nas ruas. O medo de morrer faz parte da vida destas pessoas.
Gleidson de Souza Santos de 30 anos, o personagem desta história real, relata que às vezes tem sim medo de ser morrer. Ele aponta que se apoia em Deus para não ser uma vítima. “Às vezes sim, às vezes não porque eu confio em Deus né, Deus em primeiro lugar e eu não acredito que Deus deixa a gente, só se não acreditar nele né”, explicou.
O sonho de Gleidson é voltar para o Maranhão, de retornar para a família. Gleidson mesmo tímido e num sentimento de desconfiança de um estranho estar conversando com ele, me contou de que ainda não voltou ao calor da mãe e dos irmãos, por medo de incomodá-los. “Pra eu voltar depende de arrumar um trabalho, de acreditar em Deus e em mim mesmo. Pra eu voltar do jeito que eu estou não quero voltar não, nem quero incomodar a família”, declarou.
Questionei a Gleidson se já teria procurado ajuda junto a órgãos governamentais. Ele me respondeu que foi atrás de ajuda na Casa de Acolhida Cidadã e ficou por lá durante 15 dias. Porém voltou às ruas e quando foi procurar nova ajuda, teve o constrangimento de não ser recebido pela Assistência Social da unidade. “Você passa lá por 15 dias e se precisar da casa depois de três ou quatro meses, eles não te ajudam e não tem nem como conversar com a assistente social. Não te dão chance para conversar com ela, chega lá e perguntam como é o seu nome, Gleidson Souza Santo, ai dizem assim vou conversar com ela. Perguntam já passou pela casa, eu disse já, ai ela acha o nome e fala que não tem vaga e nem condições de eu ficar lá”, informou.
A coordenadora de alta complexidade da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), Mara Sandra Almeida Santos, descreve que existem motivos para que um morador não receba ajuda na Casa de Acolhida Cidadã. “Lá na Casa de Acolhida tem algumas regras a serem cumpridas, não pode retornar alcoolizado, drogado, não pode entrar com uso de substâncias ilícitas, tem que respeitar algumas regras, os funcionários e os outros albergados. Geralmente como é uma casa de passagem, eles têm entradas e saídas espontâneas, quando ele sai espontâneo ele pode voltar espontaneamente também, exceto quando ele sai por algum motivo desses que a gente considera grave, ai ele não é aceito na casa nos próximos três meses”, relatou.
Ao que tudo indica Gleidson não chegou a casa nas condições ditas pela Mara Sandra. Ela destaca o que pode ser feito para que Gleidson possa encontrar ajuda. “Nesse caso ele tem que retornar lá, explicar na casa que já teve abrigado, que está sem a documentação e que quer ser reabrigado para a gente providenciar a documentação e internação, assim como ver mercado de trabalho para ele. Isso que ele tem que fazer lá, retornar na casa”, ressaltou.
Até a manhã desta segunda-feira (24), 15 moradores de rua foram mortos em Goiânia, desde o mês de agosto. Segundo a polícia, o envolvimento com drogas é o principal motivo da ocorrência de tantas mortes. O adjunto da Delegacia de Homicídios, Athos Costa, destaca que moradores como Gleidson correm menos riscos de morrerem nas ruas da capital. “A gente está apurando alguns delitos aqui e estamos intiluando o que seria morte de moradores de rua. O que a gente observa é que não seria morte de moradores de rua e sim morte de usuários de crack e que estão vivendo nas ruas provisoriamente ou não. Nesses casos aqui, as nossas vítimas que intitulam moradores de rua, não tem aqui nenhum deles que é o clássico, aquele desempregado, que não tem família e nem tem residência por isso não tem opção e estão morando na rua. São usuários de crack que por livre e espontânea vontade decidiram morar na rua, porque tem acesso fácil a droga”, afirmou.
Gleidson após conversar comigo, me agradeceu, pois se sentiu satisfeito por ter tido minutos de atenção, de pelo menos em um momento ter se sentido humano. (Com informações do Repórter Samuel Straioto)












