O Ministério Público deflagrou a Operação Biópsia com o cumprimento de cinco mandados de prisão e sete de busca e apreensão na Associação Goiana de Combate ao Câncer. A organização é a responsável pela gestão do Hospital Araújo Jorge e as investigações apuram denúncias de desvios de dinheiro público durante esta atuação.
A identidade dos cinco detidos não foi divulgada e a principal irregularidade apurada pelo Ministério Público é a autocontratação de empresas para a realização de serviços. Ou seja, membros da associação criaram empresas que eram contratados pela própria a entidade. Cada uma chegava a receber até R$ 200 mil por mês.
O responsável pela operação, promotor Denis Bimbati, explica o que já foi apurado, confirma que médicos participam dos delitos e que existe uma organização criminosa na Associação Goiana de Combate ao Câncer.
“Constatamos a existência de notas fiscais frias, pagamentos feitos sem recebimento de remédios, além de super salários existentes. Muitos médicos sabiam e recebiam isso”, informou.
Há algumas semanas, os pacientes que recebem o tratamento contra câncer no Hospital Araújo Jorge ficaram sem alguns remédios e insumos, o que impediu principalmente que procedimentos como quimio e radioterapia fossem realizados.
De acordo com o promotor Denis Bimbati, as fraudes e desvio de verbas públicas na administração do Hospital estavam diretamente ligadas a este tipo de precariedade no atendimento.
Segundo ele, os pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde, SUS, sofrem com falta de medicamentos e demora de até seis meses para que uma consulta de retorno seja marcada. Enquanto que quem paga pelo atendimento particular é atendido de imediato.
“Quem tem condições econômicas está pagando e tendo um atendimento muito melhor, enquanto a pessoa da rede pública espera até seis meses por uma consulta ou um retorno”, indicou.
Das cinco pessoas presas, quatro são membros da Associação e um é empresário, mas as identidades não foram reveladas, já que as apurações seguem em sigilo. Segundo o Ministério Público, o valor das fraudes é na casa dos milhões.
Alguns casos chamam a atenção como o fato de a pensão alimentícia do filho de um membro ser paga pela própria Associação. Além disso, outro associado ainda recebe um alto salário em sua conta bancária, apesar de não morar mais no Brasil.
A Associação de Combate ao Câncer em Goiás enviou nota à Rádio 730, em que afirma que as atividades do Hospital Araújo Jorge, da Unidade Oncológica de Anápolis e do Centro Médico Ambulatorial, continuam normalmente.
A Diretoria ainda explica que atende a todas as solicitações do Ministério Público com o intuito de colaborar ao máximo com as investigações.
As fraudes acontecem há pelo menos cinco anos e os cinco detidos estão em prisão temporário por 5 dias, que pode ser prorrogada por mais cinco.
Com informações de Rubens Salomão












