O sucesso do Atlético Goianiense em 2020 é resultado, principalmente, de um trabalho coletivo. Mesmo perdendo peças importantes durante a temporada, o rubro-negro conseguiu repor e conquistou seus objetivos de forma antecipada. Apesar do conjunto ter sido o ponto forte da equipe, alguns destaques individuais também apareceram, inclusive de atletas que não chegaram com status de titular absoluto.
Uma das peças de reposição que chegaram durante a Série A para suprir a ausência de jogadores que foram negociados é Wellington Rato. O atleta de 28 anos disputava a Série C do Campeonato Brasileiro quando o Atlético-GO pagou a multa rescisória de R$ 10 mil para contratá-lo. Reserva no início, ganhou espaço e terminou a temporada como titular.
“Foi um ano fantástico, sem palavras para poder descrever. Desde e minha chegada sempre entrando e ajudando meus amigos de alguma forma, logo depois conquistei meu espaço, segurei essa oportunidade e não larguei mais. Muito feliz com essa temporada de 2020, agora é dar sequência para que 2021 seja um ano maravilhoso também”, disse em entrevista à Sagres.
Foi a primeira Série A da carreira do meia, que chegou ao clube goiano após a indicação de Anderson Batatais, auxiliar do técnico Vágner Mancini, que foi treinador de Rato no Ferroviário-CE. Com contrato até o fim da competição nacional, tinha o desafio de provar nas partidas restantes que tinha futebol para estar ali.
“Sim (provar mais que os outros atletas), até porque eu vim com a indicação do Anderson Batatais e do (Vágner) Mancini e logo depois eles saíram. Fiquem um pouco confuso e falei ‘ih, o que vai ser de mim aqui agora?’, mas eu fui trabalhando, buscando meu espaço, pude contribuir da melhor forma e graças a Deus fui muito feliz nessa temporada que foi muito importante para mim”, destacou.
Esse, no entanto, não foi o único desafio que carioca precisou superar na carreira. Depois de passagens pelo Audax do Rio de Janeiro e de São Paulo, Red Bull, Caldense e Sampaio Correa, onde levantou o troféu da Copa do Nordeste, passou pelo momento mais conturbado da carreira em 2019 e até chegou a pensar em desistir do futebol.
“Tive uma passagem muito ruim no Joinville onde vários fatores atrapalharam, recursos financeiros e outras coisas também que me fizeram desanimar do futebol. Na verdade eu não joguei no segundo semestre, fui para casa e não estava com cabeça para jogar futebol. Eu recebi até algumas propostas de alguns treinadores conhecidos, mas realmente eu não queria”, revelou Wellington Rato.
“No final do ano surgiu a proposta do Ferroviário e eu falei ‘vou abraçar essa oportunidade, que será a oportunidade da minha vida’. Cheguei lá no começo do ano, as coisas foram fluindo no Campeonato Cearense, aí vem a pandemia. Quando começa a Série C eu venho numa sequência boa, fazendo gols, chamando a responsabilidade e aí surgiu a oportunidade da minha vida aqui no Atlético Goianiense na Série A”, relembrou.
Melhor chance da vida que demorou para acontecer. Na visão de Wellington Rato erros cometidos no passada atrasaram o sonho de disputar a primeira divisão do Campeonato Brasileiro.
“Eu tive muito problema no meu fator extracampo, bebia demais, saia demais, gostava de aproveitar a noite e a farra. Muitos me perguntavam porque eu não jogava uma Série B ou Série A, estava sempre ‘batendo’ numa Série C e Série D e não abria os olhos. Veio essa transformação, Jesus me aceitou, comecei a focar realmente no meu trabalho e vi onde poderia chegar”, afirmou.

Pai do pequeno João Lucas, que herdou a paixão pelo futebol, o meia agora dá conselhos para quem é jovem e quer seguir a carreira de jogador. “Que venha focar nos seus objetivos, colocar Deus acima de tudo. A vida tem muitas ilusões aí fora que você acha que vão te agregar, mas na verdade vão te atrapalhar. Quando você foca no que você quer, busca e trabalha, as coisas acontecem”.
Com a camisa do Atlético-GO, Wellington Rato disputou até agora 26 partidas e marcou três gols. As boas atuações chamaram a atenção de clubes cariocas, como Vasco e Botafogo, além do futebol japonês.
Segundo o Jornal O Dia, do Rio de Janeiro, o V-Varen Nagasaki fez uma proposta para ter o atleta por empréstimo no próximo ano pagando U$ 100 mil ao Dragão, mas com a obrigação de comprá-lo ao final deste período depositando mais R$ 5,6 milhões nos cofres rubro-negros. Os primeiros valores foram recusados pela diretoria atleticano, que mantém as negociações e busca uma valorização.
Assista na íntegra a entrevista com Wellington Rato na Sagres:













