Uma operação integrada entre as Policias civil e militar e Ministério Público de Goiás conseguiu desvendar diversas irregularidades no Detran, principalmente relacionadas a vistorias de veículos e emissões fraudulentas de carteiras de habilitação.

Até o momento foram executados 21 mandados e 38 de busca e apreensão. As investigações desta ação chamada de Carta Marcada já duram 16 meses e foi possível apurar que a partir do momento que a Universidade Estadual de Goiás (UEG) passou ficar a frente do processo de liberação de CNHs, as fraudes diminuíram em 90%.

Desta forma os criminosos migraram para os estados do Pará e Minas Gerais. O coordenador de Repressão ao Crime Organizado, José Carlos Miranda Neri, relatou como funcionava o esquema de vendas irregulares de CNHs. “Funcionavam por meio de um esquema montado, havia toda uma organização. A investigação nos trouxe a informação de que foi estendido para outros Estados, tinha participação de CFCs e de funcionários do Detran”, salientou.

Ele ressaltou que mais detalhes a respeito da apuração estão sendo colhidos com todos aqueles que foram presos. Durante as investigações ficou constatado que as habilitações comercializadas eram entre R$ 2 e R$ 3 mil. Foi apurado que o sistema de informática do Detran apresenta várias deficiências.

Em julho do ano passado o Ministério Público recomendou que o sistema fosse trocado. Em uma das apurações este sistema foi monitorado durante alguns dias, mas nada pôde ser aproveitado, pois nele não é possível identificar quem o teria utilizado.

O promotor de justiça, Carlos Luiz Wolff descreveu como eram praticadas as irregularidades nas vistorias de veículos. “Algumas peças eram objetos de crime, furtos e roubo, outros eram somente uma roda de aro 14 que trocou por 15, alteração de característica, mudança de cor e que a pessoa não tinha nota fiscal para justificar esse tipo de serviço, então procurava um procedimento irregular através de notas frias, inclusive com envolvimento de despachantes e comerciantes para que fosse viável”, declarou.

Wolff destacou que a recomendação será para que o novo sistema seja totalmente travado em relação ao direcionamento. O promotor, José Carlos Miranda, apontou o que será feito a partir de agora. “Estamos em outra fase da investigação, apuração, vamos ouvir todos que foram presos, fazer análise de tudo aquilo que foi apreendido, está sendo instaurado o inquérito policial que vai ser conduzido pela polícia civil. Depois de colhido todos os depoimentos nos possibilitarão fazer uma análise da tipificação criminal das condutas e procurar o judiciário para as penas cabíveis”, explicou. As investigações devem durar ainda mais 30 dias.