O Padre Geraldo Nascimento, Coordenador da Casa da Juventude (CAJU) sofre ameaças de morte, e devido a isso, os superiores religiosos decidiram transferi-lo de Goiânia. Esta é uma decisão em prol da segurança, para prevenir esta situação.

Segundo ele, as ameaças ocorreram pelo fato de ele trabalhar com jovens de periferia. Ele reside nas proximidades do Setor Universitário, e em contraste com os universitários da região, normalmente os jovens deste local não aparecem muito bem vestidos, o que acaba incomodando a sociedade.

“A nossa sociedade é racista e classista, apesar de aparentar não ser. A Polícia, fazendo parte desta sociedade, também é racista e classista. Os jovens são abordados e mal tratados. Nada é feito de forma respeitosa. Os jovens vêm para o nosso curso de informática, línguas, de dança, artes, e mais de duas vezes ao dia isso acontece. Eu apenas protestava”, relata.

O Padre ainda descreve que após a Operação Sexto Mandamento, uma série de situações ocorreram, que podem ser lidas como ameaças. A Casa da Juventude já recebeu ligações apontando ameaças, além de 26 veículos de a polícia terem passado na porta da Casa numa manhã.

De acordo com o Padre Geraldo, precisaria de um posicionamento mais contundente do Estado para ser contra todo tipo de barbaridades, voltados a um grupo étnico. “Não estamos na era da chibata. Já passou este tempo, e a Polícia muitas vezes, no seu procedimento com as classes menos favorecidas, age como se fosse gado, e isso não se pode fazer”, destaca.