A cidade vive a calmaria do final das férias e o fato é que com o retorno das aulas, o aluno vai querer saber da efetivação do passe escolar universal e não desculpas. O cenário que se vislumbra é de muito ataque entre as administrações públicas e choro falimentar dos empresários. Enquanto isso, o goiano paga mais caro pelo diesel.
As ruas pediram e prefeitos e governador estão apostando na universalização do passe livre estudantil. Ontem, quinta-feira, a Prefeitura de Goiânia sancionou a matéria, sem qualquer veto. Legalmente, terão direito ao passe livre os estudantes que residam e estejam regularmente matriculados no ensino fundamental, médio e superior, da rede pública e privada. Também terá direito o aluno de cursos de educação para jovens e adultos e de cursos técnicos e profissionalizantes, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). A matéria será regulamentada em até 30 dias.
E como ficam os alunos das 17 cidades da Grande Goiânia. Uma incógnita. Aparecida de Goiânia, Goianira e Senador Canedo estão embirrados. Só colocam a mão no bolso depois de terem acesso as planilhas de custo. E não adianta ameaçá-los. O Palácio Pedro Ludovico, por sua vez, está mais mudo do que passarinho na muda. Também, depois que o Ibope lhe apresentou uma fatura em que sua administração é aprovada por apenas 21% do eleitorado. Mas isto é outra conversa.
A questão, agora, é saber como é que se irá equacionar o uso do transporte coletivo urbano. Depois de quatro décadas enchendo a burra, as poderosas empresas HP Transporte e Rápido Araguaia lutarão por seus feudos? Quais serão as armas? O espaço escolhido será qual? E poder publico terá coragem de ser apenas árbitro, ou assumirá a toga da promotoria, em favor da população? Pior, vai optar por protagonizar a banca de defesa?
Neste caso, a população estará mais uma vez só. O jeito será chamar o bispo e pegar na mão de Deus. Para não se blasfemar, é possível que o Procon, mais uma vez, intermedeie a questão. Alguém precisa ficar ao lado do bem comum. Do povão. É preciso romper os lacres desses documentos e acessar os reais valores gastos na prestação do serviço. Outras capitais muito maiores que Goiânia cobram igual ou menos pela tarifa e nem por isso estão chorando miséria.
O que de diferente tem nas consta desse pessoal esquivo à luz da verdade? Cadê os cooperados da Cootego, responsáveis pelo transporte coletivo das regiões Norte e Leste de Goiânia. No passado, entre os anos de 1997 e 2003, eles eram os perueiros que tinham apoio incondicional da população goianiense para trabalhar com suas vans. Agora, são empresários do transporte público e não falam nada a favor daqueles que os acolheu? Se venderam. Conheceram a cor do dinheiro e descobriram que não vale a pena abrir mão dele?
Não é possível que nesta terra acolhedora não existam poderosos que se insurjam contra os desmandos do dinheiro e o massacre econômico produzido contra um povo trabalhador e ordeiro. Então é preciso voltar às ruas e jogar pesado contra o mando irmanado com os desmandos. É chegada a hora de lutar pelo que é justo e abrir mão do silêncio obsequioso. Do contrário não haverá outra oportunidade para dizer que quem sustenta a economia hoje são os pais da próxima geração que precisa ter garantido o passe livre no transporte coletivo urbano.







