A cidade é um saco de pancadas e o fato é que os punhos são das demais unidades da federação. Municipalizou-se a saúde, mas os recursos continuaram concentrados em Brasília. Deu-se às prefeituras a obrigação de cuidar do ensino infantil, da creche à Educação básica, mas o dinheiro de construir e equipar escolas foi mantido com a União. O governo federal dá desconto em impostos como o IPI e quem se dana são Estados e municípios, porque parte dos tributos iria para os fundos de participação. Enfim, não é fácil a vida de prefeito. Numa capital, então… Pior ainda é o prefeito reeleito numa grande coligação, com gente dos mais diferentes espectros. Eis a vida de Paulo Garcia, o prefeito de Goiânia.
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Paulo Garcia é uma das alternativas da oposição para ser candidato a governador. Além de sua gestão na Capital, Paulo Garcia tem outros trunfos e o maior deles é o apoio do ex-prefeito Iris Rezende. Paulo não seria candidato contra Iris nem Iris candidato contra Paulo. Como já opinou o jornal A Rede, a melhor chapa da oposição une os dois, com Paulo Garcia governador e Iris Rezende senador. Para se cacifar ainda mais, Paulo Garcia tem de implodir as fontes de desgaste, algumas delas administrativas, outras políticas, todas facilmente desmontáveis.
Como nos demais municípios e no Estado, existem na Prefeitura de Goiânia os grupos internos. Há richas entre as siglas e dentro delas mesmas. Uns trabalham mais porque querem ser candidatos a deputado e o tempo está se esgotando. Outros ficam com ciúme e, em vez de mais serviço, apresentam mais chorereu. As intriguinhas ficariam circunscritas à equipe se não atingissem diretamente os serviços prestados à população.
Se Paulo quiser acabar com as encrencas, basta anunciar o dia da reforma nos escalões superiores. Para ser candidato a governador, está reduzido o prazo para esses acertos. Tem até o início de abril, o que parece pouco, mas foi estabelecido que em política cada dia é uma eternidade. O desgaste inicial do atual mandato pode ser passageiro, desde que se atenha aos detalhes. O principal detalhe é que o prefeito é uma autoridade próxima do povo e, portanto, a mais fácil de ser lembrada nos protestos. Se um secretário municipal faz birra contra o colega, o povo xinga é o prefeito. São desafios simples numa estrutura complexa. Caso Paulo Garcia queira ter futuro, inclusive como candidato a governador, precisa observar outro detalhe ainda maior: Goiânia é uma vitrine olhada por eleitores do Estado inteiro.












