Em entrevista exclusiva ao Portal 730, o presidente da Agência Goiana de Comunicação, Marcus Vinicius de Faria Felipe, se diz “surpreso” com o comportamento do jornalista Paulo Beringhs, apresentador do Jornal Brasil Central. Na quarta-feira (20), Beringhs interrompeu a edição noturna do programa e denunciou suposta “censura” a entrevista do candidato a governador Marconi Perillo (PSDB) que seria veiculada nesta quinta-feira (21). Marcus Vinicius deu detalhes do contrato firmado entre a Agecom e a empresa Conceito Produções e Eventos Jornalísticos Ltda, de Beringhs. Segundo ele, o acordo continua em vigor. Confira.
Como foi exatamente a história denunciada pelo jornalista Paulo Beringhs na quarta-feira (20)?
Foi uma surpresa pra mim ter conhecimento do fato depois de acontecido, pelo Twitter. Manifestei minha surpresa. A maneira como tudo foi colocado não condiz com o espírito democrático e com a lisura da TV Brasil Central.
O senhor pediu que alguém acompanhasse a entrevista com o senador Marconi Perillo (PSDB) ou tentou de alguma forma cancelar essa entrevista?
Isso é que causa estranheza. O senador concedeu entrevista na última quinta-feira [14] e a [nova] entrevista continua marcada para hoje [21]. O programa continua sendo apresentado pelo Paulo. E vale esclarecer o seguinte: o Paulo tem um contrato com a TV Brasil Central. Segundo esse contrato, a empresa dele é responsável pela apresentação e pela produção do Jornal Brasil Central, edição da noite. Portanto, é um programa da TV Brasil Central. Vai ao ar, normalmente, às 22 horas. Com o período eleitoral, passou a ser apresentado mais tarde. No nosso entendimento o contrato continua em vigor. A Agecom tem interesse que o Paulo continue apresentando o jornal.
Então o contrato não foi cancelado?
Da nossa parte, não. Não houve distrato por parte da Agecom. A empresa do Paulo é a Conceito Produções e Eventos Jornalísticos Ltda.
Quais são as condições de rescisão desse contrato?
O contrato prevê um editor-chefe, dois cinegrafistas, dois repórteres, um âncora, que é o Paulo, e um produtor: “Estabelecer em conjunto com a Diretoria de Radiodifusão da Agecom ou outro setor indicado pela contratante as estratégias do programa e utilizar a marca da TV Brasil Central nas reportagens e matérias a serem veiculadas. Ceder à Agecom, quando solicitado, as matérias produzidas pela contratada e veiculadas no programa para utilização em outros telejornais. Apresentar o programa ao vivo diretamente de seus estúdios, enviando o sinal via link para a sede da TV Brasil Central”. O contrato reza que ele faça a produção e apresentação em comum acordo com a TV Brasil Central, que é responsável pela edição de todo o jornalismo apresentado na TV.
O que significa acertar em conjunto “as estratégias do programa”?
São as pautas. O jornal que o Paulo apresenta traz um resumo das notícias do dia e ele também leva convidados para debater temas que sejam do interesse da comunidade. Faz parte do material veiculado pela TV. Paulo, nesse caso, não é um terceirizado, não faz uma programação a revel da programação da TV.
Ou seja, o conteúdo tem de estar em acordo com a linha editorial da Televisão Brasil Central?
Exatamente. Como o jornal do meio-dia, apresentado pelo Cléber [Ferreira].
Havia uma estratégia definida para as entrevistas com os candidatos a governador nesse período?
Aquilo que pede o TRE-GO [Tribunal Regional Eleitoral de Goiás], nada mais, nada menos. O TRE pede isonomia. A gente tem cuidado para dar essa isonomia. Nosso debate aqui [no dia 24 de agosto, com todos os governadoriáveis] foi democrático, com regras acordadas entre as equipes de todos os candidatos. As entrevistas com os candidatos no Jornal Brasil Central, edição do almoço, e no Jornal Brasil Central, edição da noite, também foram acordadas com os candidatos. Seguimos aqui o que foi determinado pela Justiça Eleitoral.
Houve autorização da diretoria da Agecom para realização de duas rodadas de entrevistas com os candidatos a governador no segundo turno?
Essa é uma situação que precisa ser esclarecida. O Paulo fez o convite ao senador Marconi, que foi entrevistado na última quinta-feira [14], uma semana atrás, portanto. Ele [Paulo] fez o convite para a campanha do candidato Iris Rezende. Por razões de agenda, o candidato preferiu não ser entrevistado naquele momento. Paulo, então, fez novo convite ao senador Marconi. O senador, que já havia sido entrevistado, seria entrevistado mais uma vez. Pela isonomia que o TRE estabelece, a gente deveria entrevistar o candidato Iris Rezende duas vezes.
Após a impossibilidade de Iris participar da primeira rodada de entrevistas, a segunda rodada foi acordada com a direção da Agecom?
Não, não foi acordada. Não houve nenhum acordo nesse sentido. No meu entendimento e no entendimento do jornalismo da TV Brasil Central, deve ser mantida a isonomia. Se um candidato tem direito a uma entrevista, o outro também tem. Se forem duas entrevistas, duas entrevistas devem ser feitas com o outro candidato também. Para que amanhã não sejamos cobrados por uma postura não-isonômica.
O fato de um candidato recusar o convite para participar de uma entrevista é uma autorização tácita para que outra entrevista seja realizada com o adversário?
A negativa foi por motivo de falta de horário na agenda. Se posteriormente o candidato pede a entrevista, vou ter que atender. Prefiro me ater, então, ao que reza a legislação eleitoral: um candidato deve ter o mesmo espaço que o outro.
Houve interferência de membros da campanha de Iris Rezende nesse processo, conforme foi dito pelo jornalista Paulo Beringhs?
De maneira nenhuma. Não faz nenhum sentido isso. A TV Brasil Central é que determina a política de edição do seu jornalismo.
O que o contrato prevê em relação à rescisão?
A cláusula 11ª dispõe sobre rescisão: “A rescisão do presente contrato poderá ser: determinada por ato unilateral e escrito da Agecom nos casos enumerados nos incisos 1, 12 e 17 do artigo 78 da Lei 866/93; amigável, por acordo entre as partes; judicial, nos termos da legislação”. Nenhum desses casos se aplica a essa situação.
Quer dizer que se Paulo Beringhs não apresentar o telejornal ele está sujeito às sanções do contrato?
Exatamente.
O fato de Paulo Beringhs ter ligação com um partido por filiação preocupa a Agecom?
Quem fez contrato foi o saudoso presidente da Agecom Valterli José Alves. As tratativas para esse contrato foram feitas nos meses de agosto, setembro, de 2008, e o presidente veio a falecer em setembro do mesmo ano. Assumi em novembro e faltava protocolar o contrato, enfim, o novo presidente deveria ter ciência e assinar o contrato. Assinei o contrato em memória de Valterli. Contrato de um ano. Já na minha gestão foi feito um aditivo por mais um ano, por volta do mês de setembro também, ou seja, já no período eleitoral. Por causa de Valterli e também por conhecer o Paulo, pelo profissional que ele é, experiente, reconhecido, que aquela era uma boa aquisição: a participação dele no jornalismo da TV Brasil Central.
Pelo contrato, então, a Agecom tem o direito de discutir a pauta do programa, inclusive a agenda de convidados?
Sim. A parte editorial do programa é ligada à Direção de Rádio e TV da Agecom.
Houve censura, como foi dito?
Se houvesse censura, não haveria a primeira entrevista [com Marconi Perillo, na quinta-feira 14). Então essa é uma alegação torpe.
Qual é o valor do contrato entre a Agecom e a empresa que produz o programa de Paulo Beringhs?
O valor mensal é em torno de R$ 50 mil. O valor anual é de R$ 600 mil. E por quê? Porque é uma equipe que trabalha com Paulo. Ele tem um editor-chefe, dois cinegrafistas, um âncora e um produtor. Esse contrato remunera a equipe e as despesas de execução.
A reportagem procurou o jornalista Paulo Beringhs para ouvir a sua versão dos fatos. Fez contato telefônico e deixou mensagem em seu celular, que até as 21 horas desta quinta-feira (21) ainda não havia sido retornada.








