Em entrevista à Rádio 730, o candidato ao senado Pedro Wilson (PT) falou sobre a maneira como as pesquisas têm sido conduzida nessas eleições. “Eu trabalhei com pesquisa durante 15 anos na Universidade. Pesquisa, para nós, é um dado de avaliação, mas passou a ser propaganda, tanto que alguns institudos divergiram e, em alguns estados, até inverteram os resultados”. O candidato afirmou que isso acontece porque a Justiça Eleitoral e os leitores não exigem a divulgação da metodologia empregada na pesquisa. “Depois dessas eleições eu sou contra a censura da divulgação das pesquisas. Eu vi até uma publicação comercial de uma delas, quer dizer, divulga-se o resultado, depois é feita uma síntese dele, divulgando outro resultado, que às vezes confronta outros institutos”, disse Pedro Wilson.
O candidato afirmou que atualmente as eleições estão esmaecidas do ponto de vista ideológico. “Não quer dizer que esquerda e direita não estejam presentes, mas é preciso ver que as pessoas defendem projetos para a sociedade, de economia livre, de representação social de cotas. Como diz um político mineiro, Pesquisa é uma nuvem, ela tá ali, daqui uma semana um fator qualquer pode mudar a realidade”.
O candidato, que percorreu vários locais de votação, afirmou que percebeu dúvidas de eleitores em entender o primeiro e o segundo voto para senador. “Alguém fez uma propaganda que dizia ‘Você pode votar duas vezes’, ou seja, dois votos, mas deu uma interpretação ambígua, causando até mesmo uma confusão ideológica”, explicou. Para o senador, a confusão maior ocorreu na denominação do que seria o primeiro voto. “Ficou a ideia de que quem estava à frente nas pesquisas seria o primeiro voto, e na verdade é o eleitor que escolhe essa ordem. O primeiro voto é o que aparece primeiro”, reitera. Pedro Wilson disse que, apesar desses fatores, acredita que o eleitor vai saber decidir de maneira democrática e livre o melhor para Goiás e para o Brasil.
Em relação à cobertura midiática, o candidato ao senado pelo PT enfatizou que a mídia regional foi menos parcial que a nacional, com a produção própria de rádio e internet. “Há 20 anos a produção política brasileira era de rádios do Rio de Janeiro e São Paulo, que emitiam seus comunicados diretamente ou através de sucessoras nas capitais. Hoje as rádios têm sua produção própria e é possível acessar a fonte dos dados na internet”, explica.
Pedro Wilson destacou ainda a polarização político-partidária da mídia nacional. “O Estadão chegou a declarar seu apoio ao Serra, assim como o Washington Post fez ao apoiar Obama no final da campanha dos Estados Unidos. A Folha, por exemplo, não declarou seu voto, mas todo mundo sabe quem ela apoiava, inclusive, na última semana, deixando de apoiar o Serra para apoiar a Marina, para que ela chegasse ao segundo turno”












