Colocar a idolatria à prova? Poucos têm a coragem de aceitar um cargo de pressão como o de técnico ou diretor de um clube após brilhar e se tornar um dos principais nomes da história dessa equipe. Fernandão foi uma dessas pessoas.

Campeão em diversos torneios enquanto jogador, o “Capitão América” colorado se tornou diretor executivo do Internacional em 19 de julho de 2011. Um ano depois, aceitou o desafio de se tornar treinador da equipe, que vinha cambaleando no Campeonato Brasileiro. A missão acabou não dando muito certo e ele foi demitido no final de novembro de 2012.

Amizade além dos gramados: Clemer fala sobre o “predestinado” Fernandão

Com 21 anos de carreira, o repórter Leonardo Acosta já passou pelas rádios CBN, foi uma das Feras do Kajuru em 1997, e trabalha atualmente na Rádio Gaúcha. O radialista concedeu entrevista ao repórter Juliano Moreira, da Rádio 730, e contou alguns detalhes da relação de Fernandão, na sua época de treinador, com os jornalistas. A passagem demonstra bem a simplicidade de Fernando Lúcio da Costa, mesmo sofrendo muita pressão.

Thaynà lembra frase marcante do pai e ídolo Fernandão: “Nunca desista dos seus sonhos”

E esse lado humano destacado por Acosta é a quinta matéria da série especial em homenagem à Fernandão. O atleta, que foi revelado e brilhou pelo Goiás, faleceu no dia 7 de junho de 2014, vítima de um acidente de helicóptero, que também vitimou outras quatro pessoas.

Leonardo Acosta, repórter da Rádio Gaúcha, fala sobre simplicidade e lado humano de Fernandão:

{mp3}stories/2015/especial_Fernandao/Leonardo_Acosta_Radio_Gaucha{/mp3}

 “Muita gente vai lembrar dos grandes momentos, como o título mundial, da vez que o Fernandão levantou o Beira-Rio sem jogo, uma verdadeira catarse no retorno dos jogadores do Inter no mundial do Japão. Vou lembrar o Fernandão em um momento não tão bom, que foi o Fernandão treinador do Internacional, que n teve uma boa passagem e enfrentou um momento delicado. Me lembro de alguns fatos, por exemplo: o Fernandão conversando, em jogos longe do Beira-Rio, com a reportagem antes do jogo. Era um momento prazeroso para ele e, às vezes, numa série de insucessos e ali nos trazia, não só pra mim como para todos que trabalhavam em outras emissoras também, naquele bate-papo que você tem antes do jogo. Ali o Fernandão vinha conversar sobre futebol e a gente ficava até constrangido de perguntar alguma coisa sobre o time quando vinha de uma sequencia de 2, 3 jogos sem vitória e sabia-se que ele estava até ameaçado, mas ele não se constrangia nisso e vinha fazer o que gostava que era falar de futebol”.

As memórias de um fã: “Se lembrar do Inter, lembra do Fernandão”

Outro momento citado pelo repórter da Rádio Gaúcha é uma das últimas entrevistas de Fernandão enquanto treinador. O comandante colorado se emocionou ao agradecer à entrega dos atletas e citou o volante Ygor, atualmente no Goiás, como exemplo. “O Fernandão em uma última entrevista, após sua saída como treinador, num momento extremamente delicado, lembrando-se do Ygor e chorando naquele momento. Lembrando daqueles jogadores que foram, para ele, seus escudeiros e que foram fiéis. Ele levou a conhecimento do público naquele momento, uma manifestação do Ygor no vestiário. Um jogador que também era contestado. Ele disse ‘olha Fernando, você está sem zagueiro, eu me coloco a disposição, jogo improvisado’. Foi bem naquele jogo e o Fernandão revelou isso e começou a chorar. Ou seja, mostrou ali um Fernandão que, sem dúvida, estava abatido e pressionado, mas que conseguiu até esconder um fato que poderia ser ruim para ele, mostrar que um jogador se ofereceu para determinada posição e ele aceitou. Mas que ali, ele bateu no peito e agradeceu ao grupo como quem diz: Fiz a minha parte, tentei”.