Um novo estudo revela que árvores em áreas urbanas não apenas embelezam o ambiente, mas também geram uma economia de milhões de dólares com a gestão de águas pluviais. Além de reduzirem o risco de enchentes, as árvores podem ser aliadas poderosas para a infraestrutura verde, especialmente por meio de um mecanismo natural ainda pouco explorado: o fluxo do caule.

Conhecido como stemflow, o fluxo do caule é o processo pelo qual a água da chuva escorre pelos galhos e troncos das árvores, sendo direcionada diretamente às suas raízes. Essa água é absorvida pelo solo ao redor da base da árvore, o que aumenta a infiltração e reduz o escoamento superficial, aliviando a carga sobre os sistemas de drenagem urbana.

A infraestrutura azul-verde integra soluções naturais para enfrentar desafios urbanos, como enchentes, ilhas de calor e poluição da água. Árvores com cascas lisas e galhos inclinados são mais eficientes em canalizar o fluxo do caule. Quando plantadas em áreas com solo permeável, elas ajudam a:

  • Reduzir enchentes em períodos de chuva intensa;
  • Recarregar aquíferos subterrâneos;
  • Melhorar a qualidade da água filtrando poluentes;
  • Criar micro-habitats que estimulam a biodiversidade urbana;
  • Refrescar o ambiente e melhorar a qualidade do ar.

Irrigação natural

Outro ponto destacado pelo estudo é que a água do fluxo do caule carrega nutrientes naturais, como nitrogênio, fósforo e potássio. Isso faz dela uma excelente fonte de irrigação para hortas urbanas, áreas verdes e jardins comunitários, diminuindo a dependência de fertilizantes e contribuindo para a agricultura sustentável nas cidades.

A pesquisa propõe sistemas acessíveis para coletar e redirecionar o fluxo do caule, utilizando colares não invasivos, tubos flexíveis e pequenos reservatórios. O custo estimado por árvore varia entre US$ 70 e US$ 100, tornando essa técnica eficiente, econômica e escalável para diferentes realidades urbanas.

Realizado em cidades dos EUA como Filadélfia, Tampa, Cleveland e Phoenix, o estudo estima que o redirecionamento do fluxo do caule poderia captar entre 25 mil e 100 mil metros cúbicos de água por ano em cidades de médio porte. Isso representa uma significativa economia de recursos públicos e redução da pressão sobre os sistemas de esgoto.

Apesar do alto potencial, a técnica requer atenção na escolha das espécies e dos locais. Árvores que liberam compostos tóxicos ou absorvem poluentes, como Juglans nigra ou Ailanthus altissima, podem representar riscos ao solo e à saúde. Por isso, é fundamental fazer uma análise prévia do ambiente urbano e da qualidade da água coletada.

*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima.

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