O novo decreto em Aparecida de Goiânia suspendeu as aulas presenciais na rede privada. No ensino público, as atividades em sala de aula estão paralisadas desde março do ano passado. E levar o conteúdo aos alunos é um desafio para todos os municípios brasileiros, principalmente para aqueles que não dispõem de condições e aparelhos tecnológicos. Gestores têm feito esforços no sentido de oportunizar o ensino para essa parcela de estudantes.
Segundo um levantamento preliminar da secretaria de Educação de Aparecida, 14% dos alunos da rede municipal de ensino não tem qualquer acesso à internet e, consequentemente, não conseguem participar do ensino remoto ou híbrido. Desde o ano passado, o município tem disponibilizado atividades impressas a esses estudantes, conforme explicou o secretário de educação da cidade, Divino Gustavo, em entrevista à Sagres na manhã desta terça-feira (16/3).
Ouça a entrevista na íntegra:
“A gente sabe das dificuldades desses alunos. Nossa equipe pedagógica e os gestores têm encaminhado as atividades impressas para amenizar um pouco essa fase do ensino e para que o processo de aprendizagem não seja comprometido. Então, as escolas imprimem os conteúdos e encaminham para esses alunos que não têm acesso à internet. Muitos pais têm medo de ir até a escola a buscar o material, mas a recomendação é de não faltar nenhum tipo de material pedagógico aos alunos”, ressaltou.
Durante esse ano de Covid-19 no mundo, as atividades da rede municipal continuam de forma 100% conectada. “As escolas têm autonomia para desenvolver o conteúdo de forma digital. Muitas unidades têm usado aplicativos e recursos do Google e até o Whatsapp”, explicou.
A secretaria está lançando uma plataforma de atividades digital piloto em 10 escolas do município, que disponibiliza o acesso do aluno em qualquer momento e a qualquer dia. “Se ele não puder estar ao vivo, a ferramenta vai oferecer esses conteúdos para acesso posterior”, explicou Divino.
APRENDIZAGEM
No ano passado, 44 mil alunos estavam matriculados na rede. Segundo o secretário, mais de 90% deles conseguiram ter acesso, de forma remota ou impressa, ao conteúdo oferecido pelas unidades de ensino. Mas isso provocou um aproveitamento de aprendizagem de 50%. Divino Gustavo acredita que esse índice só deve melhorar com o retorno das atividades presenciais.
“Precisamos nivelar esses alunos que tiveram uma dificuldade muito maior até no uso das tecnologias. Não adianta eu pensar que por um tablet na mão de cada aluno vá resolver o problema. Precisamos da retomada para que possamos fazer um trabalho conciso e para que esse aluno possa eliminar suas dificuldades direto com o professor, dentro de sala de aula”, reforçou.
A secretaria havia planejado a retomada das aulas presenciais para o dia 1º de março, mas com o avanço da contaminação e a taxa de ocupação de leitos de UTI chegando a 99%, essa medida foi adiada. Divino Gustavo não soube precisar quando essa retomada deve acontecer, já que esse retorno depende da diminuição dos índices da pandemia em Goiás.
Uma pesquisa da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) avaliou os prejuízos que a falta de internet causou na aprendizagem dos alunos de escolas públicas, em 2020, com a pandemia. O acesso à internet teve um grau de dificuldade de médio a alto em quase 80% dos municípios pesquisados.
Na busca de tentar minimizar os impactos dessa situação, o Senado aprovou no dia 23 de fevereiro o projeto de lei que prevê o repasse de R$ 3,5 bilhões da União para estados e municípios para que apliquem em ações para melhorar o acesso à internet de alunos e professores do ensino público. O projeto ainda não foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro.
MAIS MATRÍCULAS
De acordo com o secretário, o número de matrículas na rede municipal aumentou em 2021. Hoje, são 48 mil estudantes matriculados. No ano passado, eram 44 mil alunos inseridos na rede. “Estamos fazendo de tudo para que não haja nenhuma evasão escolar”, pontuou.
SAGRES EDUCA
A Fundação Sagres, em parceria com o Sistema Sagres, tem feito uma série de transmissões, com o objetivo de discutir os desafios, buscar alternativas e soluções para a educação brasileira. As transmissões são realizadas às quartas-feiras, a partir de 16h, com a participação de especialistas, professores, produtores de conteúdo educativo e os alunos compartilhando suas experiências.
Nesta quarta-feira (17), o tema será sobre gameficação e como esta ferramenta tem sido útil para elevar a qualidade de aprendizagem.
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