Durante os “Debates Esportivos” de hoje, o presidente do Goiás, Sérgio Rassi, explicou o ofício enviado para a Federação Goiana contestando o estádio Aníbal Batista de Toledo. Além disso, comentou sobre as declarações de Hailé Pinheiro sobre a torcida esmeraldina, criticou as cotas de televisão, reclamou da falta de exames antidoping e revelou que deseja a extinção dos campeonatos estaduais.

Confira os principais temas abordados na entrevista:

Oficio contestando o estádio Aníbal Batista de Toledo

“Como mandatário de um clube que está num momento muito importante tem de usar todos os recursos disponíveis dentro da legislação que rege aquele Campeonato, em prol do seus direitos. Assim como levaram a ultima instância uma coisa corriqueira, que foi aquela mão na bola ou bola na mão, como queiram, do Bruno Henrique, chegando a estapafúrdia punição de 12 jogos. E assim como presidente, diretores da Aparecidense estão convocando torcida de outros times para torcer para eles, nós também estamos atrás dos nossos direitos pautados no regulamento do campeonato.

No artigo 17 do Campeonato Goiano fala que, para as fases finais do estadual, os estádios tem de ter capacidade mínima de 6 mil torcedores sentados com espaço reservado e seguro para autoridades. Temos um relatório da Prefeitura de Aparecida que fala que o estádio comporta 4 mil e 800 pessoas. Baseado nisso, colocamos isso para que fosse averiguado”.

Resposta

“Estou sabendo extra-oficialmente que a Aparecidense conseguiu todas as certidões e todos os laudos. Acredito que darão ganho para o time deles. Estamos respeitando o regulamento e tentando esclarecer. Se tiver tudo acertado, então tudo bem. Iremos jogar no Aníbal, sem nenhum problema”.

A final do Goianão

“Vamos ver quem vai merecer o título dentro de campo. Sei que nossa torcida não está satisfeita com nosso time, então imagina a torcida das outras equipes. Com certeza, todos vão torcer contra a gente”.

Doping

“Acho que tinha de ser exigido exame antidoping nas fases finais do campeonato e isso não existe. Nosso time é o mais jovem do torneio e a meninada corre muito bem, sem a necessidade dessas substâncias. Não estou fazendo nenhuma acusação pontual, mas acho que seria de bom alvitre, porque tem clubes que contam com jogadores com idade avançada e que, às vezes, correm mais que os jovens. Será uma solicitação nossa na próxima reunião, em que será definido o Campeonato Goiano do ano que vem”.

Declaração do Hailé

“Quem sabe ele quis mexer com a nossa torcida, que está muito inerte. Já cansei de ouvir a história de que eles não vão no estádio porque não tem contratações caras. Não estamos no clube fazendo castelos de areia. Estamos construindo edificações sólidas para o futuro do clube. Estamos com uma política de reestruturação econômica do clube e isso leva tempo. Não adianta contratar jogador de 200 mil reais e no final do ano não dar conta de pagar ninguém.

Conversei há pouco com o governador para que ele nos ajude com essa situação da Caixa, que já virou uma piada. Ao invés do torcedor fazer alguma coisa na porta da Serrinha, vá fazer na porta da Caixa, que nos prometeu patrocínio e até agora nada. A torcida tem de vestir mais a camisa e não só ficar nesse discurso piegas de que o clube não contrata e que o clube não tem título.

O seu Hailé deve estar com essa mesma revolta, de achar que estamos fazendo o correto e o torcedor não comparece. Ele é uma pessoa extremamente polêmica e que não falou isso de coração. Não teve relevância tanto que o próprio torcedor não compareceu ao chamado protesto na porta da Serrinha. Tinham só umas 40 pessoas, então mostra que a torcida entendeu que a fala do Hailé foi apenas uma provocação”.

Campeonatos estaduais

“O estadual tem de ser extinto. Os campeonatos nacionais deveriam ser estendidos, com mais datas. Colocar mais divisões para que os clubes do interior sejam contemplados também. O Brasil é o único lugar do mundo que tem estadual. Por outro lado, temos a obrigação, e a palavra é essa mesmo, de vencer o campeonato goiano. No aspecto psicológico, ganhar esse titulo é da maior relevância.

Se fosse por pontos corridos, já seriamos campeões nesse ano e no ano passado. Em duas partidas muita coisa pode acontecer. O ano passado foi o maior exemplo. Estivemos invictos até os 48 minutos do segundo tempo e, como disse o Jovair na época, o Atlético foi campeão por um acidente”.

Cotas de televisão

“Graças a Deus, o contrato com a TV Anhanguera acaba agora. Vou ficar até o final do ano, mas pedi para as pessoas aqui no Goiás que me deixem negociar o contrato de televisão e as regras do Campeonato Goiano para o ano que vem. Não como presidente, mas como conselheiro, pedi essa autonomia. Isso é a maior injustiça que eu já vi na vida. O Goiás é o único time do campeonato goiano que disputa a primeira divisão do brasileiro e recebemos o mesmo que o Atlético e o Vila Nova. Temos um plantel muito mais caro que todos os outros clubes.

Sou totalmente contrário a divisão feita pela Rede Globo. Porém, é importante lembrar que Federação Goiana é filiada a CBF. E na Confederação Brasileira, através da Rede Globo, os clubes de maior interesse ganham 10 vezes mais. Tínhamos de fazer igual as ligas mundiais (alemã, inglesa, italiana) de dividir a receita. Defendo que 60% tinha de ser dividido igualitariamente. 20% de acordo com a classificação dos últimos 10 anos, por exemplo, e os outros 20% de acordo com critérios de torcida. Como eles não seguem isso, tenho de defender os interesses ao meu clube”.

Criticas à CBF

“A CBF tem de cuidar das seleções. Os clubes que devem organizar os campeonatos. É um paternalismo dirigido aos grandes clubes. Dessa forma, os times pequenos serão sempre pequenos”.