Até o último dia 16 todas as pesquisas apontavam para uma vitória do candidato Marconi Perillo (PSDB). A pesquisa Serpes desta data apontava vitória do candidato tucano que teria 11,5 pontos de vantagem em relação ao peemedebista Iris Rezende. Mas como os próprios cientistas políticos afirmam, as pesquisas medem “os distintos momentos da campanha”, e uma oscilação começou a ser sentida na última semana com a divulgação das pesquisas Grupom/730, Ibope e Vox Populi. Pela primeira vez na campanha neste segundo turno as pesquisas mostraram um clima de incerteza com a diminuição da distância entre os dois candidatos.

Para o cientista político Pedro Célio, os resultados apresentados pelas pequisas nesta última semana apontam para uma indefinição que não existia em um primeiro momento. Ele ressalta que o crescimento de Iris Rezende é resultado de uma reação do próprio candidato, que segundo ele, “mudou de postura no segundo turno”, passando a comparar mais suas gestões com as de Marconi Perillo e focando no discurso de agilidade administrativa e infraestrutura.

O cientista político Itami Campos também endossa a ideia de que o crescimento de Iris possibilita uma rearticulação interna da base aliada do PMDB, e provoca alterações nos rumos da campanha. “O crescimento de Iris anima as bases e os eleitores que passam a ver a possibilidade de vitória.” Segundo Itami, a estratégia de Iris de comparar governos e atacar o opositor tem surtido efeitos positivos para o peemedebista.

Efeito Lula

Ambos os cientistas políticos afirmam que os resultados das pesquisas divulgadas na última semana podem estar ligados à participação do presidente Lula e da presidenciável Dilma Rousseff na campanha irista. De acordo com Pedro Célio, somada a participação do presidente Lula e a adesão do ex-candidato Vanderlan Cardoso (PR) e do governador Alcides Rodrigues (PP) à campanha de Iris, cria-se uma “repercussão favorável ao candidato”.

Entretanto, as pesquisas ainda não captaram os efeitos do comício de Iris, Dilma e Lula na região noroeste da capital, na  terça-feira, 19. Itami Campos, que no primeiro turno se mostrava cético em relação à transferência de votos de Dilma para Iris, diz que o quadro apresentado agora pode ser justamente um efeito desta transferência. O cientista político também afirma que a participação da presidenciável e de Lula no segundo turno goiano é uma surpresa para ele. “Não era esperada uma participação de Lula e Dilma em Goiás no segundo turno.”

O resultado da pesquisa Ibope, que apontou empate técnico entre os dois candidatos, foi recebido com euforia pelos peemedebistas e com desconfiança por parte dos tucanos. Assim como Marconi Perillo já havia feito no primeiro turno, Iris explorou o resultado em seu programa eleitoral. Por outro lado, o candidato tucano lançou duras críticas ao Ibope, que, segundo ele, “não desaprende a errar”.

De um modo geral, a repercussão das pesquisas segue essa lógica, com críticas por parte do candidato que está ameaçado e elogios por parte dos que obtiveram resultados positivos. Entretanto, Pedro Célio aponta que o Ibope erra tanto quanto qualquer outro instituto, e essa discussão de “erros” não deve ser a tônica neste momento. “Muitos institutos e pesquisas erram a favor do candidato tucano também”, afirma o cientista político, que desaprova a crítica de Marconi ao Ibope.

Para Itami Campos, o crescimento de Iris sob o eleitorado de Vanderlan e de Marconi mostram que algo pode não estar funcionando como deveria na campanha tucana. “Talvez seja importante para Marconi rever o modo como está conduzindo os debates, rever a estratégia de campanha para essa reta final”, avalia. Pedro Célio acredita que esteja ocorrendo uma “virada na psicologia das campanhas”, que ainda é incerta em se tratando da tradução deste momento em votos. Tanto Itami quanto Pedro Célio concordam que este momento coloca em suspense a possibilidade de vitória de ambos os candidatos, porém, avaliam que a última semana foi muito favorável ao candidato Iris Rezende, que se rearticulou e conseguiu reagir – diferentemente do ocorrido no primeiro turno.

Os números

A pesquisa Grupom/730 realizada do dia 16 ao dia 19 de outubro aponta uma diferença de 7,8% entre Marconi Perillo e Iris Rezende. O levantamento mostra o candidato tucano com 49,6% das intenções de voto, enquanto o peemedebista registra 41,8%. Dos 1202 entrevistados, 2,2% votam em branco ou nulo, e 6,4% estão indecisos. A margem de erro é de 2,8%. Vale ressaltar que a pesquisa Grupom aponta um empate técnico entre os dois candidatos no quesito rejeição, sendo que 34,3% dos eleitores afirmaram que “não votariam de jeito nenhum” em Marconi Perillo, e 33,4% disseram não votar em Iris. A pesquisa mostra que ainda existe a possibilidade de mudança do eleitorado até o dia das eleições, ou seja, ainda não há a chamada “fidelização dos votos”. Os números apontam que 23,9% dos eleitores de Iris podem optar por Marconi, e 37,1% dos eleitores de Marconi podem votar em Iris Rezende no dia 31 de Outubro.

A pesquisa Ibope/TV Anhanguera, realizada do dia 17 ao dia 19 aponta empate técnico entre Marconi e Iris. O candidato tucano registra 48% das intenções de voto, enquanto Iris tem 44%. Como a margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos, a vantagem de Marconi está dentro desta margem, e por isso, configura-se o empate. Dos entrevistados, 5% estão indecisos e 3% votariam branco ou nulo. O Ibope entrevistou 1.204 eleitores em 56 municípios.

A pesquisa Vox Populi contratada pela TV Goiânia/Band confirmou o acirramento na disputa estadual. O levantamento, feito do dia 16 ao dia 18 de outubro, mostra o candidato Marconi Perillo com 49% das intenções de voto e Iris Rezende com 45%. Segundo a pesquisa, 3% votariam branco ou nulo, e 3% não souberam ou não opinaram. A margem de erro é de 2,8 pontos porcentuais para mais ou para menos.

As três pesquisas foram realizadas em um intervalo de tempo muito semelhante e a proximidade dos resultados obtidos apontam uma tendência para a reta final. Mas como toda pesquisa possui “data de validade”, uma possível subida do candidato Iris e queda no eleitorado de Marconi poderá se confirmar ou não nos próximos levantamentos divulgados, dependendo da postura destes diante dos resultados obtidos. Há menos de 10 dias das eleições, uma significativa parcela do eleitorado ainda não “fidelizou seu voto”, e como disseram os cientistas políticos, às vésperas da eleição, o panorama é de incerteza.

Fonte: Tribuna do Planalto, por Péricles Carvalho: Clique aqui e veja o texto original