Essa vai ser a semana mais tensa das eleições 2010. A semana que antecede o dia 31 de outubro é decisiva para os postulantes ao Palácio das Esmeraldas. Com apoios formalizados, militância nas ruas e estratégias bem definidas, a coligação Goiás Quer Mais vai aumentar o ritmo das atividades. Pelo menos é o que afirma o coordenador de campanha Antônio Faleiros.

Para ele, não é necessária nenhuma mudança nas práticas adotadas até o momento. O que é necessário é um maior trabalho da militância e demais pessoas envolvidas, pois, segundo Faleiros, “a engrenagem ainda não azeitou nesse segundo turno”. A visão de pessoas ligadas ao partido é de que a campanha “esfriou”. Apesar da empolgação da militância, o eleitor comum está cansado da campanha e por isso o trabalho não temobtido grande repercussão.

Faleiros acredita, no entanto, que a militância vai trabalhar bastante nesses últimos dias de campanha. Sobre as cidades prioritárias, o coordenador afirma que a campanha tem se concentrado nos municípios com maior densidade eleitoral, não importando se o senador foi bem votado neles ou não. No entanto, Marconi Perillo (PSDB) deve visitar somente os municípios onde teve boa votação para tentar aumentar os números. Nas cidades com baixo índice de votos, a expectativa é de que a militância consiga reverter sozinha esse quadro. “Marconi não dá conta de ir a todos os lugares”, explicou.

A senadora Lúcia Vânia (PSDB), reeleita, tem cuidado da campanha no interior junto aos prefeitos, principalmente nas regiões onde Marconi Perillo teve poucos votos. Durante a semana e nos próximos dias, Lúcia Vânia vai priorizar a região do Vale do São Patrício, onde conta com o apoio de 11 prefeitos. O candidato teve baixa votação nos municípios que compõem a região, que é base da senadora. Na avaliação dos prefeitos, a campanha de Marconi errou ao fazer carreatas nas cidades em detrimento do corpo a corpo.

Aécio Neves

Durante a semana, o tucanato goiano trouxe nomes importantes do partido a Goiânia para demonstrar apoio a Marconi Perillo. No sábado, 23, o governador eleito de São Paulo Geraldo Alckmim esteve na capital e passou pelas cidades de Aparecida de Goiânia e Trindade. O senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves, também esteve em Goiânia para declarar apoio ao candidato Marconi e inaugurar o comitê de apoio ao presidenciável José Serra. No evento feito para a militância tucana, as críticas aos adversários, principalmente ao presidente Lula, foram contundentes.

Até mesmo o ator e agora deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, Stepan Nercessian, esteve na atividade de campanha para declarar apoio a Marconi. “É por amor a Goiás que eu volto para pedir aos nossos conterrâneos que não podemos de maneira nenhuma permitir o retrocesso e o atraso no nosso Estado. Vamos com Marconi e José Serra”, declarou o ator, que é goiano mas mora no Rio de janeiro desde a década de 1960.

A fala de Marconi Perillo também foi de críticas aos adversários e também às pesquisas publicadas durante a semana, que mostram uma diminuição da diferença de intenções de votos entre ele e Iris Rezende. Para ele, “os adversários estão em busca de alternativas que façam sua militância se reerguer”. Os militantes presentes ouviram um apelo do tucano por mais engajamento na campanha. As críticas foram feitas justamente no dia em que foi publicada a pesquisa Ibope, que apontou empate técnico entre os governadoriáveis. Na sua página pessoal no twitter, o tucano também escreveu sobre o assunto: “O Ibope não nos intimida. Conhecemos seus “métodos” desde 1998. Nunca mudaram. É assim aqui e em todo o Brasil”.

As alfinetadas a Iris Rezende também tiveram espaço no comício tanto por parte de Marconi, quanto de Aécio Neves. “Não fizemos governos de uma nota só, cuidamos de todas as áreas”, afirmou o tucano, enfatizando seus feitos como administrador público. Marconi falou ainda de um governo de parceria com Aécio Neves, caso seja eleito e desfiou elogios ao correligionário. “O Brasil precisa de líderes como Aécio Neves verdadeiramente honesto, desapegado de qualquer compromisso com o populismo ou com a demagogia. A sua vinda aqui nos enche de honra e alegria. Diferentemente do adversário que usa seus aliados como instrumento para ataques pessoais. Este palanque aqui é o palanque do bem”.

O comício de Lula na capital na terça, 19, foi marcado por críticas à Marconi Perillo, o que desagradou os tucanos. Aécio Neves falou que não veio a Goiás para atacar adversários e nem para decidir pelo povo goiano, se referindo ao pedido de votos feito por Lula. Mas emendou “Os goianos não vão permitir a volta ao passado de que não temos boas lembranças”. O mineiro ainda elogiou Marconi pela sua administração à frente do Estado, afirmando que são exemplo para o país. Lula foi criticado também pela sua atuação na campanha da presidenciável Dilma Rousseff e nas campanhas estaduais. “Jamais se viu um presidente descer do patamar da Presidência da República para avanças tanto nas eleição, não apenas na nacional, mas nas eleições estaduais”, completou Aécio Neves.

Marconi segue alinhado a Serra

Além de passar a fazer sua  campanha mais alinhada em relação à do presidenciável José Serra, Marconi tem feito um discurso muito mais próximo ao correligionário, incorporando inclusive alguns motes da campanha presidencial. Assim como Serra, o goiano tem falado de uma campanha de paz, afirmando que “adversários” não devem ser “inimigos” e fazendo um apelo pelo voto calcado na religião e na família.

Nas últimas semanas, a campanha de José Serra teve forte tom religioso, jogando na pauta de discussões assuntos como legalização do aborto e união homoafetiva, sendo discutidos somente pela ótica das igrejas. Aliado a isso, o tucano tem procurado se mostrar ao eleitorado como um homem ligado à religião, distribuindo panfletos com mensagens bíblicas e participando de inúmeros eventos religiosos que geralmente ficam apinhados de políticos em época de eleição.

O senador Marconi, ainda que de forma menos ostensiva, tem se apropriado desse tipo de campanha. Nas suas falas em eventos públicos tem reforçado a ideia de que não possui padrinhos políticos e que “Deus e o povo” seriam seus padrinhos. O papel de vítimas de ataques dos adversários também é comum a ambos os candidatos. Com o episódio de uma suposta agressão contra Serra na quarta, 20, que teria sido alvo de uma bolinha de papel e de um rolo de fita adesiva, o PSDB lançou o discurso de perseguição às suas candidaturas. A vinda de Lula a Goiânia, em que o presidente acusou o ex-governador tucano de não cumprir acordos e as críticas de Iris Rezende à sua administração nas propagandas eleitorais e nos debates também foram interpretadas como ataques pessoais. “É triste ver que na volúpia pela vitória se descambe para ataques tão pessoais e grosseiros como esse”, afirmou Aécio Neves sobre as críticas de Lula contra Marconi.

Debates

Durante a semana foram realizados dois debates entre os candidatos. Ao contrário do primeiro turno, em que os candidatos evitavam polemizar um com o outro, Marconi e Iris Rezende mudaram as estratégias no segundo turno e partiram para o ataque mútuo. Os temas que têm marcado as campanhas em Goiás desde 1998 reapareceram, como Cachoeira Dourada, Beg, entre outros. Enquanto Iris Rezende propunha a comparação entre governos, Marconi preferiu tratar de temas sociais, onde se sairia melhor e que foi explorado na propaganda eleitoral de televisão. O tucano ainda negou que tenha deixado déficit de R$ 100 milhões mensais para o sucessor e agora adversário político, Alcides Rodrigues, afirmando que isso seria uma farsa criada por Jorcelino Braga, que agora comanda o marketing da campanha irista.

“Eu recebi o Estado numa situação deplorável. Três meses de folha em atraso, Ipasgo havia seis meses que não pagava, escândalo da Caixego, escândalo da Astrográfica, o governo havia perdido a Usina de Cachoeira Dourada, 80 estradas abandonadas”, afirmou o tucano sobre a situação em que encontrou o Estado. “Fizemos uma reforma que mereceu elogios pelo país afora. Havia modernização e profissionalismo. Lamentavelmente, a reforma foi destruída nos últimos anos. Será necessário fazer reforma que enxuguem a máquina”,

Fonte: Tribuna do Planalto, por Lis Lemos. Clique aqui e veja o texto original