Atos pró e contra o presidente Jair Bolsonaro marcaram o último domingo em todo País. Em Brasília, parte dos apoiadores do governo protestaram contra o Supremo Tribunal Federal (STF), com faixas e cartazes contendo dizeres como “Abaixo a ditadura do STF” e pedidos de intervenção militar na Corte.

Em entrevista à Sagres 730, nesta terça-feira (2), o senador Vanderlan Cardoso (PSD), disse que não acredita em uma crise institucional, mas está faltando equilíbrio entre os Poderes. “Pode ver que o problema nosso é político, essas interferências dos Poderes, esse equilíbrio que está faltando”, afirmou.

Vanderlan apontou que “toda crise é preocupante” e existe uma “queda de braço” entre os Poderes. “Estamos vendo uma queda de braços agora com o Supremo com o Executivo, a partir do momento em que um poder entra no outro, ou quer tomar o lugar do outro, sempre vai haver esse problema. Já tivemos outros embates com o Executivo e o Legislativo”, relembrou.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, as participações do presidente nas manifestações públicas contra o Congresso Nacional e contra o STF indicam ameça de ruptura política. Questionado sobre o clima de instabilidade entre Poderes, Vanderlan afirmou que em outros governos, como de Dilma Rousseff e Michel Temer, já se via interferências do Supremo Tribunal Federal.

“Temos também um pouco de memória curta, quando a presidente Dilma Rousseff nomeou o ex-presidente Lula para um ministério, e o STF barrou, a confusão foi grande, a presidente Dilma disse que era interferência do STF, e é mesmo. Do presidente Michel Temer quando ele nomeou a ministra Cristina Brasil, o STF também barrou”, disse. “Então está havendo uma interferência nos poderes, agora cada um reage de uma maneira diferente, a presidente Dilma reagiu de uma maneira, o presidente Temer de outra maneira, e o presidente Jair Bolsonaro reagiu a maneira dele, que é a maneira que nós conhecemos”, defendeu.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, falou durante uma live sobre uma possível ruptura institucional. “O problema não é mais se (haverá ruptura institucional), mas quando”, disse. “Estamos vendo uma iniciativa atrás da outra para esgarçar essa relação. E depois não se engane. Quando o presidente não tiver mais saída e tiver que tomar uma medida enérgica, ele que será taxado como ditador”.

De acordo com Vandelan Cardoso, isso não haverá em hipótese alguma e que as instituições estão firmes. “O filho do presidente não é presidente. Os filhos do presidente falam e postam cada coisa, mas não é o presidente. Eu nunca vi o presidente Jair Bolsonaro falar de golpe, pelo contrário, ele está buscando o entendimento, está buscando a governabilidade para que ele possa trabalhar em paz. Ele está trabalhando, os ministros também”.

Cenário Político

Nos últimos meses, o presidente Jair Bolsonaro começou uma articulação com o Centrão, no Congresso Nacional. Desde o início de sua campanha eleitoral, Bolsonaro criticava o bloco de político, por serem famosos em negociar cargos em troca de sustentação a governos no parlamento.

Para o senador, “o presidente, no passado foi radical demais com a questão do Centrão” e que é preciso ver o que é governabilidade, porque precisa dialogar e ter entendimento. “Criticaram o presidente por ele não dialogar com os partidos e ficar esse esticar de corda com o Congresso. Agora o presidente passa a conversar e dialogar, e está pagando por falas erradas do passado”, afirmou.

Vanderlan acredita que esse diálogo com o bloco político está vindo para melhorar o entendimento. Ele voltou a citar que a crise no Brasil é política, e deve aprender a lidar com ela. “O maior problema que nós estamos tendo hoje, fora pandemia, é a questão política e temos que resolver”.

Eleições 2020

Vanderlan Cardoso é pré-candidato à Prefeitura de Goiânia pelo PSD. De acordo com o senador, devido à pandemia do novo coronavírus houve quietação por parte de todos pré-candidatos, mas afirmou que segue no diálogo para disputar o pleito. “Estamos conversando, agora decisão vai ficar mais para frente um pouco, nós estamos aguardando os próximos 30 dias como é que vai comportar essa pandemia, como é que vai estar e se vai poder ter algumas reuniões maiores e presenciais”, afirmou.