O deputado Wagner Siqueira Junior (PMDB), o Waguinho, deixou claro em entrevista para a RÁDIO 730 que a parceria da Celg com o Credit Suisse não passou pela Assembleia Legislativa, e que todos tomaram ciência por meio da imprensa.

“O presidente da Celg tem vários requerimentos, um deles sou eu pedindo para ele toda a situação funcional da Celg, todos os contratos de funcionários não concursados, o que seriam mais de três mil. Ficamos sabendo do contrato apenas através da imprensa no final da semana passada”, declara.

Ele afirmou que não é contra qualquer tipo de privatização, mas segundo o deputado, tudo aquilo que é essencial como lixo, energia, saneamento, não pode ser privatizado porque visaria o lucro, fato que não poderia acontecer por ser uma instituição de fomento. 

Primeiro Questionamento

“Vamos levar em consideração a região Nordeste de Goiás. Você tem que levar uma demanda de energia para possibilitar o interesse de futuras empresas de se instalarem ali e levar o desenvolvimento para aquela região. Você é um capital contra 49% de uma Companhia, não tem voz e poder de decisão. Será que essa pessoa vai preferir fomentar uma coisa que o lucro financeiro talvez vá chegar daqui a cinco ou dez anos, em detrimento de levar talvez para Rio Verde, Jataí ou até mesmo em Goiânia? Você acha que a Celg não tem essa função? Este é o meu primeiro questionamento”, relata.

Segundo questionamento

“Por que se tirou o procedimento de discussão com a sociedade através da Assembleia Legislativa? Duvido que a imprensa tenha uma minuta do banco Credit Suisse, pois a Assembleia não tem”. 

De acordo com ele, o banco tem uma condenação por envio de dólares ilegais no exterior, e foi multada em R$ 26,4 milhões por uso de informação privilegiada, envolvendo a venda do controle da empresa de energia para a Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig) em 2009.

Terceiro Questionamento

O terceiro questionamento seria a operação toda que envolve mais de R$ três bilhões.

“A minuta não é enviada para a imprensa nem para a Assembleia Legislativa. O governador não é dono do Estado nem o presidente da Celg é o dono dela. Eles estão lá para gerir este negócio, então porque ele está correndo a sete chaves? Temos que discutir isso. Ninguém sabe de nada, só os banqueiros e as pessoas do governo. Espero muito que chegue uma minuta definida”, destaca o deputado.

Waguinho disse que na legislatura passada, o governador mandou um projeto que restabelece o poder moderador. Para ele, isso é mais um fator que o assusta, o fato de não conversar com a sociedade.

“Pode ser um grande projeto, mas não entendo porque ele é feito sob um sigilo tão grande”, finaliza.