Não só as seleções que participam da Copa do Mundo foram destaque nestas duas últimas semanas. Um time de futebol composto por garotos de 11 a 16 anos e seu treinador foram notícia em todo o mundo após ficarem presos dentro de uma caverna por mais de duas semanas. Felizmente, nesta terça-feira (10), os doze meninos e o treinador foram resgatados.
Toda a aflição e o trabalho da equipe de resgate foi acompanhada por um brasileiro que mora há quatro anos na Tailândia, o técnico Alexandre Gama. Ele, que já comandou os times de base do Fluminense, o Madureira e Duque de Caxias, atualmente é treinador do Chiang Rai United. Em entrevista à reportagem da Sagres 730, Alexandre relatou como foram essas duas semanas na Tailândia com as 13 pessoas isoladas dentro da caverna.
Alexandre Gama é brasileiro e treina o Chiang Rai United, da Tailândia (Foto: Arquivo Pessoal)
“Foram duas semanas bem complicadas aqui. O povo tailandês sentiu muito, praticamente parou todo o país, parou tudo para acompanhar, era o que todo mundo falava. Mas esse episódio mostrou também muita união entre os tailandeses, todo mundo tentando ajudar da melhor maneira possível, principalmente aqui na cidade muitas pessoas se colocaram à disposição, não para entrar na caverna, mas levando comida, mantimentos para os soldados. Então, foi difícil. As pessoas passaram por momentos de tristeza, de perder um pouco a esperança, voltar a ficar esperançoso e hoje com a notícia de que todos saíram. Estamos todos muito felizes e com o desejo de que tudo possa voltar ao seu ritmo normal”.
Mas apesar do sucesso de todos que estava presos dentro da caverna terem sido resgatados com vida após mais de nove dias sem se alimentarem, um dos mergulhadores que faziam parte do resgate acabou falecendo durante o salvamento.
“Primeiro, quando eles acharam os meninos, a gente tinha esperança mas sabia que era uma dificuldade muito grande. Já estavam há nove dias dentro da caverna, não sabíamos qual era a situação, e os meninos foram achados, então isso deu uma esperança muito grande pro povo tailandês imaginando que logo eles sairiam, mas no mesmo instante descobrimos que não era possível sair assim tão fácil e que seria necessário montar uma operação. Neste meio tempo houve a morte do mergulhador, o que trouxe mais aflição, nervosismo porque as pessoas ficaram com medo do que poderia acontecer. Uma pessoa altamente treinada, preparada para aquilo, veio a falecer e ai começaram a surgir as dúvidas se seria possível tirar os meninos realizando o mergulho”, revela Alexandre.
O brasileiro explicou ainda que não conhecia o projeto no qual os meninos participavam, mas falou sobre o convite da FIFA para que os 12 garotos assistissem a final da Copa do Mundo na Rússia no próximo domingo (15), o que foi impedido pela equipe médica que os atendeu.
“Na verdade, acredito que o convite foi mais simbólico que seria realizado. Com certeza agora eles precisam se recuperar, não só fisicamente mas também psicologicamente. É muito importante que eles fiquem agora no hospital para se recuperarem. Ficaram muito tempo no escuro, sem luz, isso pode complicar, beberam água que não era a ideal. O povo ficou muito feliz com o convite, eles, com certeza, ficarão, mas acho que terão outra oportunidade. A FIFA mesmo pode chamá-los para outros eventos. O importante é que eles sairam de lá, a Copa fica em segundo plano para eles e para o pessoal da Tailândia”, destaca o treinador.













