O que não faltou para o primeiro clássico entre Vila Nova x Atlético de 2019 foi polêmica. O empate em 1×1 entre as duas equipes na partida de ida da fase semifinal do Campeonato Goiano foi recheado de confusão dentro e fora de campo.

Por conta disso, a Sagres 730 entrou em contato com Guilherme Bentzen, procurador geral do Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de Goiás para esclarecer algumas situações que aconteceram no Estádio Olímpico no último domingo (31). Entre elas, arremessos de copos descartáveis no gramado em direção ao árbitro André Luiz Castro e o lance envolvendo Pedro Raul, atacante do Atlético, e o zagueiro Luizão, do Vila Nova.

(Foto: Douglas Monteiro/VNFC)

Vila Nova pode perder mando de campo?

A primeira situação analisada pelo procurador foram os arremessos de copos, por parte da torcida colorada, em direção ao árbitro André Luiz Castro quando a arbitragem descia para o vestiário no intervalo da partida, fato que não foi colocado na súmula.

“O árbitro deveria ter relatado na súmula o lançamento dos objetos porque na transmissão ficou muito claro, até porque os objetos foram lançados em direção à equipe de arbitragem. Até os próprios árbitros podem ser denunciados por omissão e até o próprio Vila Nova, porque mesmo não estando na súmula, a transmissão foi muito clara. Se os auditores entenderem que foram lançamentos de alta gravidade, isso pode acarretar em perda de mando de campo do Vila Nova, de uma a dez partidas”, analisou Guilherme.

Punição aos dirigentes?

Se a ação dos torcedores não foi colocada na súmula por André Luiz Castro, a dos dirigentes colorados sim. Durante o intervalo, Ecival Martins presidente do clube, e Sidiclei Menezes, diretor de futebol, invadiram o campo e “partiram para cima” do quarteto de arbitragem.

“Em razão das imagens terem sido claras e a equipe de arbitragem ter relatado as ofensas por parte dos dirigentes do Vila Nova, penso que a procuradoria denunciará todos aqueles dirigentes com base no artigo 243 F do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) e a multa vai de R$ 100 a R$ 100 mil e uma pena mínima de quatro partidas”, explicou.

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<blockquote class=”twitter-tweet” data-lang=”pt”><p lang=”pt” dir=”ltr”>Revolta da diretoria do <a href=”https://twitter.com/VilaNovaFC?ref_src=twsrc%5Etfw”>@VilaNovaFC</a> coma a arbitragem de Andre Luiz Castro. Tudo por conta de Wesley Matos que foi expulso no classico contra o <a href=”https://twitter.com/ACGOficial?ref_src=twsrc%5Etfw”>@ACGOficial</a> após impedir o avanço de Jorginho. <a href=”https://t.co/NvA4JXNP4n”>pic.twitter.com/NvA4JXNP4n</a></p>&mdash; Charlie Pereira (@charliepereira_) <a href=”https://twitter.com/charliepereira_/status/1112445821402992647?ref_src=twsrc%5Etfw”>31 de março de 2019</a></blockquote>
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Pedro Raul será punido?

Outra situação a ser analisada é a do atacante Pedro Raul, do Atlético. O atleta se envolveu em um lance polêmico e acabou atingindo o zagueiro Luizão, do Vila Nova, com o cotovelo.

“O advogado do Vila Nova já nos adiantou que vai apresentar uma notícia de infração disciplinar desportiva em relação a esse lance, mas a procuradoria ainda não recebeu nada do Vila Nova a respeito disso. Eu imagino o seguinte: pelas imagens houve, no máximo, uma jogada violenta. O lance foi claramente na disputa do jogo, na disputa da bola. Analisando friamente as imagens, o jogador do Atlético foi no máximo imprudente e se os auditores entenderem assim, pode acarretar em suspensão mínima de uma partida”, revelou o procurador.

Guilherme Bentzen relembrou, inclusive, um fato parecido que aconteceu no ano passado. O lateral Marquinhos, da Anapolina, atingiu o meia Léo Sena, do Goiás, após o esmeraldino estar caído no gramado durante a partida de ida da fase semifinal do Goianão e foi denunciado no Artigo 254-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, sendo suspenso preventivamente. Desta forma, ficou fora do jogo da volta contra o Goiás.

“Poderá ser suspenso (Pedro Raul), mas não preventivamente. No ano passado, em relação à Anapolina, o atleta foi suspenso preventivamente, como se fosse uma liminar para ele já ficar suspenso em antecipação ao cumprimento de pena e isso acontece em situações de extrema gravidade. No caso do jogo deste domingo, eu não consigo ver a mesma gravidade. Foi um lance de imprudência do jogador na disputa de bola e ele pode ser sim suspenso, mas não preventivamente, não agora”.

O procurador revelou ainda que Pedro Raul não ficará de fora do jogo contra o Vila porque não há sessão para o julgamento marcada antes do jogo do dia 7 de abril no Estádio Antônio Accioly. Se for julgado, o atacante poderá perder algum jogo da final, caso o time rubro-negro elimine o Tigre neste final de semana

“Ele pode ficar fora do primeiro ou do segundo jogo da final, por exemplo. Nós temos uma série de hipóteses para trabalhar. Com certeza a sessão de julgamento será antes de um dos jogos da final. Suponhamos que ele seja julgado e os auditores entendam que ele mereça ser apenado, essa decisão é cabível recurso e a concessão de efeito suspensivo. Então se lá na frente o atleta for apenado e a defesa conseguir efeito suspensivo, ele terá condição para um dos jogos ou, se brincar, dos dois”, concluiu Guilherme Bentzen.

Ouça na íntegra a entrevista que foi ao ar durante o programa Toque de Primeira:

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