A sucessão de crises econômicas e políticas vivida pelo país nesta década levou a uma desvantagem da população na faixa dos 20 anos a patamares recordes. Embora o desemprego tenha aumentado para todos entre abril e junho, para os de 18 a 24 anos foi de 29,7% contra 13,3% para a média da população ativa.

O economista Luiz Carlos Ongaratto avalia que a situação do Brasil se agrava por ser um país em desenvolvimento, se comparado a nações desenvolvidas.

“O jovem de países mais ricos demoram mais para entrar no mercado de trabalho e tem mais tempo de estudo. Devido à nossa necessidade de o jovem se lançar ao mercado de trabalho e, muitas vezes, sem qualificação, essa necessidade causada muito pelas sucessivas crises econômicas, a gente está patinando na economia, então a tendência sim que haja mais desemprego entre os jovens”, avalia.

No cenário brasileiro, ocorre o que é chamado de descolamento do desemprego entre os jovens. “É justamente quando há uma queda ou um aumento além da média. Vamos supor, se a média desemprego aumentou em 5%, porém o desemprego entre os jovens aumentou 10%, a gente teve um descolamento da média, ou seja, foi além da média, ele descolou. A gente percebe que o desemprego entre os jovens é mais que o dobro da média da população brasileira. Esse descolamento foi agravado por conta da pandemia”, analisa Ongaratto.

Para o economista, a falta de oportunidades dos jovens no mercado de trabalho afeta inclusive o acesso à educação no Brasil, já que a maioria precisa trabalhar para conseguir pagar os estudos.

“Se a gente tem uma alta taxa de desemprego entre os jovens, isso mostra que a nossa economia não está crescendo na velocidade e na quantidade necessária para que a gente restabeleça a economia a patamares anteriores à crise e patamares superiores. Se o nosso país dá poucas oportunidades aos jovens, a gente vai afastar inclusive o jovem do estudo, porque ele não tem como financiar o seu estudo, que seria o principal mecanismo de a gente quebrar esse ciclo”, frisa.

Confira a entrevista a seguir no STM #138