A cidade ainda respira o show de Paul McCartney e o fato é tão inédito quanto inesperado. Goiânia está acostumada a espetáculos grotescos de música brega. Qualquer manifestação cultural bancada com dinheiro público tem o auge em apresentações de duplas sertanejas, grupos de arrocha, enfim, em cantores ruins esperneando num palco ao lado de músicos ainda piores.
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O encontro gastronômico acaba num show de canções de corno.
A montaria de cavalos e touros acaba com a voz gutural de dois sujeitos sem qualquer predicado gritando versos idiotas.
A bienal de livros, o festival de cinema, tudo acaba em música, nem sempre de qualidade.
Então, não importa a desculpa, o que importa é torrar dinheiro público com bandas e bandos.
Até que enfim, esteve em Goiás um astro realmente digno de admiração. Mesmo quem não gosta de rock ou de baladas é obrigado a reconhecer que Paul McCartney fez a diferença e talvez tenha dividido época no Estado. Depois de ouvir Paul McCartney, o goiano pode ter ficado mais exigente. Não vai mais tolerar o governo gastar verba oficial com shows superfaturados de artistas abaixo da crítica.
Amanhã, Paul McCartney não vai mais saber indicar no mapa onde se localiza Goiânia, se é que um dia já soube. A esperança é que os goianos tenham se inserido noutro mapa, o dos povos que já chegaram ao século XXI. Seria ótimo se alcançássemos a modernidade com a tecnologia, a cidadania, a Educação de qualidade. Mas também será ótimo se o povo só aceitar do governo o que o primeiro mundo tem de melhor. Mesmo que seja o show de um sujeito de 70 anos que não sabe se aquele pontinho no mapa é a cidade sede de seu espetáculo ou apenas o local em que pousou a mosca.






